Não foi Passos Coelho que o disse, foi Rui Reininho no programa de talentos da RTP1 - a Voz de Portugal -, mas podia ter sido o nosso primeiro-ministro, a propósito da praga de jobs for the boys que vai comendo todos os tachos disponíveis nas empresas de capital público.
Depois de ter vestido a bandeira da isenção e do ataque ao clientelismo partidário durante o seu percurso, iludindo-nos depois com as escolhas, mesmo tendo sido as segundas, de não correlegionários para cargos chave do Governo, Passos Coelho aparece-nos agora no pedestal como o rei da fábula, todo nú. A bandeira já não tapa o chicote castrador com que chocou o povo e com o qual pretende dar ainda mais umas mangueiradas, confiante na nossa paciência de chinês.
Talvez agoram percebam porque é que os barões do PSD recusaram os convites feitos em primeira instância para participarem no Governo de Passos Coelho. Estavam com olhos postos noutros tachos, mais bem remunerados e sem chatices que isso de Governar, quer se queira quer não, dá mais trabalho do que parece. A Caixa Geral de Depósitos, a EDP, a EPAL, são apenas os exemplos mais recentes do tráfico de influências movido por estes "bichinhos" que, normalmente, não teriam valor para chegar a tais cargos por méritos próprios.
A desbaratização patrocinada pelos portugueses nas últimas eleições acaba por cair mais uma vez em saco roto. Infelizmente, a bicharada política e a outra são em tudo idênticas: por mais insecticida que se lhes deite, ainda o efeito não passou completamente e já está a bicharada a voltar a percorrer os mesmos caminhos.
domingo, 15 de janeiro de 2012
sábado, 3 de dezembro de 2011
A abstenção
O Partido Socialista absteve-se na votação do orçamento na Assembleia da República, tal como o Partido Social Democrata havia feito quando os papéis estavam invertidos. Aliás, a abstenção nas votações da Assembleia têm sido frequentes sempre que se pretende não votar contra. A tirania dos partidos a isso obriga e é voz comum fazer declarações de voto e outras palermices quando se vota contra o que se pensa ou se quer defender, ou se vota contra a indicação de voto partidária.
Isto dá-nos que pensar. Isto devia dar-nos que pensar!
Quem quer que seja eleito para a Assembleia da República, está a ser eleito com os votos dos cidadãos portugueses, cidadãos esses que têm um conjunto de ideais, interesses, preocupações e desejos. Teoricamente, enquanto representantes dos portugueses e, descontando o facto de poderem representar todos os portugueses ou apenas uma parte, será legítimo a um político abster-se de decidir sobre um tema, seja ele qual for?
É uma aberração um político abster-se seja no que for. É o mesmo que um pescador se abster de pescar porque não sabe se há-de pescar carapau ou sardinha, um gestor se abster de gerir a empresa porque não sabe se vai vender mais ou menos ou um construtor civil se abster de acabar a construção de uma casa porque não sabe se há-de colocar um telhado de zinco ou telha de barro.
Não escolhemos políticos para que estes se abstenham de tomar decisões, mesmo que nós próprios o pudéssemos fazer por ignorância ou por incapacidade se tal nos fosse solicitado. Nós escolhemos os políticos para que possam tomar as decisões por nós, no melhor dos nossos interesses, ou da forma como os nossos interesses são percebidos pelo político. Ser deputado é um ofício, não um prémio! Por isso, quando um político se abstém numa votação, está-se a abster da responsabilidade que tem para connosco, os seus eleitores. E isso é imperdoável e deveria dar lugar a despedimento com justa causa, que é o que acontece no sector privado a alguém que, sendo pago para decidir, se recuse a fazê-lo.
Também por isso, muito me espanta que em altura de eleições os políticos venham pedir ao povo que não se abstenha, que vá votar, exercer o seu dever (direito) de cidadania! A desfaçatez!
Na verdade, nada do que disse me espanta realmente. Não espero que flores perfumadas nasçam numa lixeira. E o perfume das que nasceram nos canos das armas foi demasiado efémero.
Isto dá-nos que pensar. Isto devia dar-nos que pensar!
Quem quer que seja eleito para a Assembleia da República, está a ser eleito com os votos dos cidadãos portugueses, cidadãos esses que têm um conjunto de ideais, interesses, preocupações e desejos. Teoricamente, enquanto representantes dos portugueses e, descontando o facto de poderem representar todos os portugueses ou apenas uma parte, será legítimo a um político abster-se de decidir sobre um tema, seja ele qual for?
É uma aberração um político abster-se seja no que for. É o mesmo que um pescador se abster de pescar porque não sabe se há-de pescar carapau ou sardinha, um gestor se abster de gerir a empresa porque não sabe se vai vender mais ou menos ou um construtor civil se abster de acabar a construção de uma casa porque não sabe se há-de colocar um telhado de zinco ou telha de barro.
Não escolhemos políticos para que estes se abstenham de tomar decisões, mesmo que nós próprios o pudéssemos fazer por ignorância ou por incapacidade se tal nos fosse solicitado. Nós escolhemos os políticos para que possam tomar as decisões por nós, no melhor dos nossos interesses, ou da forma como os nossos interesses são percebidos pelo político. Ser deputado é um ofício, não um prémio! Por isso, quando um político se abstém numa votação, está-se a abster da responsabilidade que tem para connosco, os seus eleitores. E isso é imperdoável e deveria dar lugar a despedimento com justa causa, que é o que acontece no sector privado a alguém que, sendo pago para decidir, se recuse a fazê-lo.
Também por isso, muito me espanta que em altura de eleições os políticos venham pedir ao povo que não se abstenha, que vá votar, exercer o seu dever (direito) de cidadania! A desfaçatez!
Na verdade, nada do que disse me espanta realmente. Não espero que flores perfumadas nasçam numa lixeira. E o perfume das que nasceram nos canos das armas foi demasiado efémero.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
Inveja - 6º do ciclo dos pecados mortais
Será minha a palavra
-
a derradeira -
definitiva como a morte
som terminal
curto e contundente.
Será a minha a voz do cutelo
e a frieza a da lâmina da foice.
Fecharei portas e portadas,
soprar-te-ei a noite
de um céu varrido de estrelas.
Será minha a palavra
que extingue a chama
e que te venda os olhos
ao ondular da sua sombra.
A escuridão é tua para descobrir
E não mais invejarei a tua luz.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Soberba - 5º do ciclo dos sete pecados mortais
Se eu desviar o olhar
onde te vais agarrar?
Mergulhas no vácuo e na escuridão.
Se a luz dos meus olhos se extinguir
a que luz vais pedir
que te encontre a direcção
É na imensidão do que eu sou
que tu encontras abrigo.
É na minha consciência
que encontras, da vida, o sentido.
Se de ti me perder...
Se de ti me esquecer...
domingo, 18 de setembro de 2011
Ira - 4º do ciclo dos sete pecados mortais
Ergue-te, sombra desnudada da raça Humana!
Ergue-te dessa morte anunciada por criatura
profana
Que julgaste divina, pintura da Capela
Sistina.
Esquece a forma e o cheiro desse anjo negro
O canto de sereia, o desassossego
O mal sob a pele de cordeiro.
Liberta-te da traição desonesta e cobarde
De quem te converteu à Cristandade
Para te preencher com solidão.
Mata esse ser que amas e odeias
Mostra-lhe as trevas de que agora te rodeias
Mostra-lhe a obra de Deus!
Mata esse Deus que nunca se sentou a teu lado
Maldita seja a hora em que o criaste,
apaixonado!
E com ele morram os anjos e os demónios,
Quebrem-se as asas! Partam-se os cornos!
Queimem-se os altares, inundem-se os infernos!
Soprar-lhes-ei vida e deixarão de ser eternos.
Que o infinito acabe de repente,
Que leve tudo e todos na torrente,
Que colapse o éden imaginário, a cruz, o
almário
Queimem-se as vestes e o breviário!
Apaguem-se as velas!
Arrasem-se as capelas!
Toquem os sinos, a rebate, os finados
E empurrem-nos da torre, partam-nos em bocados
Destruam-se todos os símbolos desse engano
Desmistifique-se o divino e o profano!
Extinga-se a chama oca da ilusão
Pela espada morram, todos pela minha mão.
sábado, 17 de setembro de 2011
Mirandês - desliguem-lhe a máquina!
O mirandês é a segunda língua oficial de Portugal, ainda que ninguém a compreenda, fale ou escreva fora da região de Miranda do Douro e arredores. Acredito até que mesmo nessa região poucos o falem e quase que aposto que absolutamente ninguém o usa no seu dia-a-dia.
Afirmo isto sem recurso a nenhum dado concreto nem a nenhuma experiência particular. É uma daquelas ideias que se baseiam no conceito de que se algo não for útil (e incluo a arte como algo útil) não sobreviverá - é uma decorrência da selecção natural aplicada a algo que não é um ser vivo, mas que é manipulado ou utilizado pelos seres vivos e, como tal, se rege pelas regras que moldam a realidade desses seres vivos (nós).
Apeteceu-me discorrer um pouco sobre esta questão do mirandês por causa de uma reportagem lançada na SIC onde se dá algum tempo de antena à "utilização" e "importância" desta segunda língua nacional. Discordo completamente dessa relevância. O mirandês não é utilizado nem é importante, desculpem-me os mirandeses. Mais me irritou porque ao ver a reportagem pareceu-me estar a assistir a uma peça montada por uma máquina de propaganda fascista com o objectivo de evangelizar a população para a bondade da causa, neste caso do mirandês. Desde os meninos (coitados) na escola, com um ar natalício, a recitar, um de cada vez, a fábula da lebre e da tartaruga até às senhoras de idade a simularem uma conversa natural em mirandês, sobre vacas, silvas, portões e ladrões, visivelmente pouco à vontade porque, claramente, só devem falar mirandês quando lá vão os jornalistas da SIC, toda a reportagem foi uma encenação, quiçá patrocinada pela autarquia.
Não acredito que existam mais de 10.000 pessoas a falar mirandês como afirmaram na reportagem. A não ser que contem as pessoas que conhecem até um mínimo de três palavras. Nesse caso, eu sou um poliglota de renome porque falarei mais que dez idiomas, incluindo o mirandês, a saber: "lhéngua", "hoije" e "scritores".
Por outro lado, considerar o mirandês como segunda língua nacional, quando ela é ensinada apenas num punhado de escolas primárias é uma anedota. Mais valia seleccionar o inglês, o francês ou o castelhano como segunda língua, ou então, se o anterior vos escandaliza, escolham o latim e voltamos aos tempos de antigamente, mesmo porque língua morta por língua morta, o latim sempre tem mais valor e aplicabilidade. A "piéce de résistance" é saber que de entre os livros traduzidos para mirandês, os dois mais notavelmente publicitados são... Eça? Camilo? António Lobo Antunes? Não. São dois volumes do Astérix... tipicamente português, diga-se de passagem...
Se o mirandês alguma vez foi vivo, já morreu. Se está morto deixêmo-lo ao cuidado dos historiadores, façamos levantamentos culturais do que foi e da sua importância, criemos festas temáticas onde se celebre essa tradição mas não percamos tempo nem gastemos recursos a inventar uma roda quadrada que nunca funcionará, porque a redonda já foi criada há muito tempo e funciona melhor. Não gastemos o tempo das crianças nem o dinheiro dos seus pais e do resto dos contribuintes para ornamentar esse túmulo!
Passos Coelho, olha aqui uma despesa boa para se cortar quase sem impacto nenhum! Pode ser que chegue para oferecer um bilhete de avião ao Alberto João Jardim para o raio que o parta.
Afirmo isto sem recurso a nenhum dado concreto nem a nenhuma experiência particular. É uma daquelas ideias que se baseiam no conceito de que se algo não for útil (e incluo a arte como algo útil) não sobreviverá - é uma decorrência da selecção natural aplicada a algo que não é um ser vivo, mas que é manipulado ou utilizado pelos seres vivos e, como tal, se rege pelas regras que moldam a realidade desses seres vivos (nós).
Apeteceu-me discorrer um pouco sobre esta questão do mirandês por causa de uma reportagem lançada na SIC onde se dá algum tempo de antena à "utilização" e "importância" desta segunda língua nacional. Discordo completamente dessa relevância. O mirandês não é utilizado nem é importante, desculpem-me os mirandeses. Mais me irritou porque ao ver a reportagem pareceu-me estar a assistir a uma peça montada por uma máquina de propaganda fascista com o objectivo de evangelizar a população para a bondade da causa, neste caso do mirandês. Desde os meninos (coitados) na escola, com um ar natalício, a recitar, um de cada vez, a fábula da lebre e da tartaruga até às senhoras de idade a simularem uma conversa natural em mirandês, sobre vacas, silvas, portões e ladrões, visivelmente pouco à vontade porque, claramente, só devem falar mirandês quando lá vão os jornalistas da SIC, toda a reportagem foi uma encenação, quiçá patrocinada pela autarquia.
Não acredito que existam mais de 10.000 pessoas a falar mirandês como afirmaram na reportagem. A não ser que contem as pessoas que conhecem até um mínimo de três palavras. Nesse caso, eu sou um poliglota de renome porque falarei mais que dez idiomas, incluindo o mirandês, a saber: "lhéngua", "hoije" e "scritores".
Por outro lado, considerar o mirandês como segunda língua nacional, quando ela é ensinada apenas num punhado de escolas primárias é uma anedota. Mais valia seleccionar o inglês, o francês ou o castelhano como segunda língua, ou então, se o anterior vos escandaliza, escolham o latim e voltamos aos tempos de antigamente, mesmo porque língua morta por língua morta, o latim sempre tem mais valor e aplicabilidade. A "piéce de résistance" é saber que de entre os livros traduzidos para mirandês, os dois mais notavelmente publicitados são... Eça? Camilo? António Lobo Antunes? Não. São dois volumes do Astérix... tipicamente português, diga-se de passagem...
Se o mirandês alguma vez foi vivo, já morreu. Se está morto deixêmo-lo ao cuidado dos historiadores, façamos levantamentos culturais do que foi e da sua importância, criemos festas temáticas onde se celebre essa tradição mas não percamos tempo nem gastemos recursos a inventar uma roda quadrada que nunca funcionará, porque a redonda já foi criada há muito tempo e funciona melhor. Não gastemos o tempo das crianças nem o dinheiro dos seus pais e do resto dos contribuintes para ornamentar esse túmulo!
Passos Coelho, olha aqui uma despesa boa para se cortar quase sem impacto nenhum! Pode ser que chegue para oferecer um bilhete de avião ao Alberto João Jardim para o raio que o parta.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Avareza - 3º do ciclo dos sete pecados mortais
Tantas palavras para somar...
dois foram uns!
E eu não as uso
com medo de as gastar.
São minhas,
não as sei dar.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Preguiça - 2º do ciclo dos sete pecados mortais
Quero um tempo
onde o tempo não se conte
o já não exista
o depois seja mais tarde
e o nada não acabe.
Quero um som
com poucas letras
escrito em minúsculas
dito em surdina
lido para dentro.
Quero uma ideia
já descartada
de premissas impossíveis
e sem aplicação visível.
Quero um esforço já feito
um custo pago na íntegra
uma estase perfeita.
Quero fixar o olhar
num horizonte inalcançável
até que a vista cegue.
Espero um universo
em que a espera seja avanço
e o sonho sabedoria.
sábado, 10 de setembro de 2011
Luxúria - 1º do ciclo dos sete pecados mortais
Tenho fome de ti
Doce pecado
Sushi de serpente
Nua e crua
És Eva
Em cama de arroz
Paraíso
Em forma de maçã
Dentada em forma de beijo
Curei a imortalidade
Com o teu veneno.
Mas vais cair do pedestal
E eu cairei contigo
Agarrado à tua costela, que é minha
Em êxtase
Completar-nos-emos
Nesse vôo lascivo
Descendente
Faremos Cains e Abéis
Atravessaremos os olhos dos anjos
Incrédulos
Penas sussurram e coram
-
Sobressalto!
Não fora este o sétimo
E talvez Deus acordasse – Alto!
Mas não.
Segue sonhando que é Deus
E nós, caindo, criamo-lo.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
António Costa is back
O facto relevante é o posicionamento político que António Costa continua a sedimentar, logo após ter rejeitado candidatar-se ao lugar de Secretário Geral do PS.
Com esta candidatura, António Costa vai, finalmente, a jogo e coloca uma carta forte na mesa. Ao apoiar Assis, demonstra acreditar que José Seguro não vai conseguir aguentar-se no barco logo após as primeiras eleições a que concorra e, por isso, posiciona-se desde já numa "oposição velada". Desta forma, ninguém o pode criticar agora por não apoiar abertamente Seguro nem, mais tarde, quando concorrer contra ele, correr o risco de ser acusado de saltimbanco político ou mesmo de traidor. Também relevante é o facto de avançar em 2º lugar. Apesar de ser um lugar natural, dado o peso que António Costa tem no PS, é uma clara manifestação de intenção e de poder. Se o objectivo não fosse o de marcar o seu território de forma muito clara, poderia ter avançado num lugar mais modesto onde se não comprometesse ou, até, manifestar o seu apoio político nos media e nem sequer participar na lista. Assim, está a dizer a todo o partido que deu um avanço a Seguro mas que agora vai começar a caçada.
Entretanto, vai esperando que Assis faça o seu trabalho de desgaste e Seguro tropece nas suas próprias pernas.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Gotas de água fazem a tempestade
Diversos economistas e Passos Coelho acreditam que os proveitos resultantes de tributar as fortunas seriam gotas de água.
Américo Amorim não se julga rico, apenas mais uma gota de água...
As despesas exorbitantes com telemóveis e carros no Estado e empresas públicas são gotas de água.
Já os salários dos trabalhadores (por oposição a dirigentes e políticos) não são gotas de água.
Se não o soubessem já, gostava que alguém explicasse a estes senhores que é gota a gota que se faz uma tempestade.
Aperta o garrote

André Macedo escreveu no DN uma análise que resume o que eu tenho dito nos últimos tempos no que diz respeito à máquina fiscal. A complexidade que se foi acumulando com medidas avulsas ou de “emergência” politica, fiscal e social tem que ser eliminada para bem de todos. Digo isto porque se o sistema fiscal for simplificado conseguir-se-ão reduzir custos de gestão que o Estado pode redireccionar para outras áreas (Saúde!!!). Contudo, tal como André Macedo, defendo que a eliminação das deduções fiscais tenham uma repercussão positiva nas taxas de IRS e que só assim farão sentido, caso contrário estaremos a observar um novo aumento de impostos que asfixiará novamente a classe média. Os cortes feitos da forma que foram anunciados pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar vão, infelizmente, no sentido da redução dos rendimentos da classe média sem a respectiva contrapartida.
Para já, como nota André Macedo, as únicas medidas tomadas por este Governo centram-se na receita e resumem-se a aumentos de impostos. O “ataque” à despesa fica, inexplicavelmente, para 2012.
Compreendo que o Governo tenha que tomar medidas difíceis para a população mas é preciso que não se tomem apenas as medidas fáceis para o Governo. Para isso, qualquer badameco podia ser eleito ministro das finanças, não precisávamos de ir buscar um iluminado.
Adicionalmente, Passos Coelho já afirmou que não pensa criar um imposto sobre as grandes fortunas. Alguém pensou que a direita o faria? Alguém pensou que Passos Coelho o poderia fazer? Eu não.
André Macedo finaliza o artigo com um alerta: “Gaspar que não nos defraude”. Neste momento, só há uma hipótese deste Governo não me defraudar e demonstrar alguma boa-fé de que não continuam apenas a ser os campeões da riqueza e poder instalados. É urgente e prioritário terminar com o regabofe na ilha da Madeira. Há razão, há conjuntura, há necessidade imperiosa.
Haja também coragem.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
A força dos nomes
Uma das primeiras coisas que se ensina a quem quer escrever ficção é que um nome pode ser determinante para o sucesso de uma história. É evidente, para mim, enquanto leitor, que o nome de uma personagem pode ajudar a estabelecer a ligação entre ela e o leitor. A escolha de um "bom" nome pode, imediatamente, provocar um certo estado de espírito no leitor ou levá-lo a colar determinados traços de personalidade à personagem. Por isso, quando bem escolhido, o nome do herói ou do vilão fazem-nos acreditar que aquela personagem é boa ou má.
O primeiro livro que eu li do José Rodrigues dos Santos foi paradigmático. Um herói de ficção com um nome português não funciona para mim porque estou demasiado habituado a nomes estrangeiros ou nomes inventados. Um nome português, colado a uma nacionalidade improvável para aventuras fantásticas fez com que eu torcesse o nariz à narrativa desde o início. Pura e simplesmente não acreditei que o Tomás Noronha fosse um cientista aventureiro. Talvez acreditasse que fosse um nobre enfadado com a vida, um escritor revolucionário ou um missionário Comboniano mas nunca a personagem que Rodrigues dos Santos quis criar.
A minha dúvida é que nome poderia ter funcionado?
Em inglês, Butch pode ser o nome de um assassino, de um bruta-montes, de alguém que faz "bullying" na escola. Daisy, pode ser o nome de alguém doce, de uma menina bonita e cabeça no ar, de alguém alegre e vivaço. Matt é o nome do soldado, do tipo prático, do jovem de boa índole, etc., etc., etc...
Em português não consigo estabelecer esta ligação. Os únicos nomes que imediatamente funcionam, quando usados em conjunto, são "Cátia" e "Vanessa". Quem é o Manuel? Quem é o João? Quem é a Ana, ou a Cristina?
O primeiro livro que eu li do José Rodrigues dos Santos foi paradigmático. Um herói de ficção com um nome português não funciona para mim porque estou demasiado habituado a nomes estrangeiros ou nomes inventados. Um nome português, colado a uma nacionalidade improvável para aventuras fantásticas fez com que eu torcesse o nariz à narrativa desde o início. Pura e simplesmente não acreditei que o Tomás Noronha fosse um cientista aventureiro. Talvez acreditasse que fosse um nobre enfadado com a vida, um escritor revolucionário ou um missionário Comboniano mas nunca a personagem que Rodrigues dos Santos quis criar.
A minha dúvida é que nome poderia ter funcionado?
Em inglês, Butch pode ser o nome de um assassino, de um bruta-montes, de alguém que faz "bullying" na escola. Daisy, pode ser o nome de alguém doce, de uma menina bonita e cabeça no ar, de alguém alegre e vivaço. Matt é o nome do soldado, do tipo prático, do jovem de boa índole, etc., etc., etc...
Em português não consigo estabelecer esta ligação. Os únicos nomes que imediatamente funcionam, quando usados em conjunto, são "Cátia" e "Vanessa". Quem é o Manuel? Quem é o João? Quem é a Ana, ou a Cristina?
terça-feira, 9 de agosto de 2011
A ilha das bananas
O Tribunal de Contas (TC) anunciou hoje que a dívida financeira da Madeira aumentou o ano passado quase 100 milhões de euros. Além disso, o TC admite a existência de diversas ilegalidades, desde empréstimos contraídos à margem da Lei, aplicação indevida dos empréstimos, facturas passadas fora de prazo e adjudicação posterior de trabalhos já executados.
Não obstante a gravidade de toda esta colecção de ilegalidades efectuadas pelo Governo Regional o que me tira do sério é o beneplácito do "governo continental". Afinal, não se pode exigir a um ladrão que não roube mas pode exigir-se a um polícia que prenda o ladrão se ele roubar. O que sempre acontece aos nossos governantes, porém, estejam socialistas ou sociais-democratas no poleiro, é espetarem a cabeça na areia como a avestruz e esperar que nada aconteça durante o seu mandato.
Pelos vistos, a estratégia da avestruz tem funcionado a contento, pois já lá passaram Sócrates, Santana, Durão, Guterres, Cavaco e manteve-se tudo igual. No continente enterra-se a cabeça e na ilha enterra-se o dinheiro, como num bom filme de piratas.
O TC fez o seu trabalho e pode, desde já, começar a preparar os papéis da próxima auditoria que esta não vai servir para nada. Alguém aposta o contrário?
Não obstante a gravidade de toda esta colecção de ilegalidades efectuadas pelo Governo Regional o que me tira do sério é o beneplácito do "governo continental". Afinal, não se pode exigir a um ladrão que não roube mas pode exigir-se a um polícia que prenda o ladrão se ele roubar. O que sempre acontece aos nossos governantes, porém, estejam socialistas ou sociais-democratas no poleiro, é espetarem a cabeça na areia como a avestruz e esperar que nada aconteça durante o seu mandato.
Pelos vistos, a estratégia da avestruz tem funcionado a contento, pois já lá passaram Sócrates, Santana, Durão, Guterres, Cavaco e manteve-se tudo igual. No continente enterra-se a cabeça e na ilha enterra-se o dinheiro, como num bom filme de piratas.
O TC fez o seu trabalho e pode, desde já, começar a preparar os papéis da próxima auditoria que esta não vai servir para nada. Alguém aposta o contrário?
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Serviço Nacional de Saúde
Tenho para mim que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) deve cumprir dois requisitos básicos. Em primeiro lugar deve cumprir a função médica e atender as necessidades médicas de toda a população em tempo útil. Em segundo lugar, deve cumprir a função social garantindo os serviços médicos a cidadãos sem recursos. Como corolário dos dois requisitos apontados, o SNS deve proporcionar a todos os cidadãos o mesmo nível de cuidados de saúde. Só chegados aqui, devemos pensar nos custos associados que temos que suportar e na forma como vão ser suportados. A função médica, enunciada em primeiro lugar, é a razão da qual emana a necessidade de serviços médicos. No mínimo, um Estado tem de garantir que a sua população é o mais saudável possível para que possa maximizar a sua produtividade e eficiência. Não obstante os serviços médicos poderem existir fora do âmbito do Estado, os cuidados mínimos e urgentes devem poder ser fornecidos dentro de um âmbito público que garanta a defesa da vida como o bem intrínseco mais precioso que possuímos. No fundo, a saúde abstracta do Estado é a saúde do conjunto da sua população.
A questão que tem levantado mais polémica está relacionada com o grau de intervenção estatal na saúde, motivada pelos prejuízos avultados que esse subsistema incorpora nas contas públicas. Há quem defenda que a solução passa pela privatização da função saúde. O governo anterior chegou a implementar aquilo a que chamou as parcerias público-privadas para testar modelos mistos de gestão pública e privada e procurar as eficiências que escapam aos nossos hospitais e demais centros prestadores de serviços médicos. Este, parece-me o caminho correcto mas os resultados não foram nada animadores e verifica-se que o problema não se encontra tanto no modelo mas nos gestores envolvidos nesse modelo e para esse problema não há privado que nos valha. Contudo, é indiscutível que o modelo de gestão público também está incorrecto porque promove a incompetência, o gasto descuidado e até o roubo. Como habitualmente, tudo passa pelas pessoas e tem que se encontrar uma forma de tornar os agentes públicos uns gestores mais competentes.
Uma segunda questão polémica centrou-se na concentração de recursos e a consequente extinção de diversos serviços médicos. Independentemente de poderem ter existido casos individuais questionáveis, não me restam dúvidas de que, holisticamente, é obrigatório concentrar serviços específicos em polos específicos que passam a servir geografias mais vastas. É preciso ter em atenção que o acréscimo de incómodo para alguns representa a salvação do sistema de saúde para todos e, principalmente, é preciso não esquecer que ainda assim, o nível de serviço é muito superior ao nível de serviço de há vinte anos atrás.
As taxas moderadoras, também elas vítimas de vários ataques, são a terceira questão polémica, ora pela sua aplicação, ora pelos montantes aplicados. Se por um lado é defensável afirmar que já pagamos o direito de acesso aos serviços de saúde através do pagamento de impostos, por outro percebe-se que, em virtude do descalabro das contas ao qual somos alheios, temos que aumentar a nossa comparticipação. O pormenor dos valores serem aplicáveis de acordo com os escalões de rendimento, enquadra esta medida dentro de uma perspectiva socialmente justa, pelo que me parece uma polémica menor.
Tendo tudo isto em consideração, para que o SNS funcione como é devido num estado socialista ou social-democrata como nós os conhecemos, basta que se criem condições para que o acesso ao sistema de saúde seja uma realidade para todos e que exista em igualdade de circunstâncias. O que não se pode fazer, na minha opinião, sob pena de extinguirmos o que de bom construímos é deixarmos o sector nas mãos das seguradoras e bancos. É inevitável que a procura do lucro rapidamente limite o acesso a bons serviços de saúde a quem os não possa pagar, que no caso de Portugal é a maior parte da população. A privatização destes serviços poderia ser atenuada com a atribuição de subsídios estatais (se o direito comunitário o permitisse, o que desconheço) mas será que alguém ainda acredita neste modelo de negócio? Eu, pelo menos, depois do exemplo das SCUTs, não acredito.
Trago este assunto à baila porque me ocorreu que a febre liberal do governo social-democrata possa vir a atingir de morte o nosso sistema de saúde pela pessoa do ministro Paulo Macedo, cujo currículo na banca o aproxima mais dos números e menos das pessoas.
N de aNgola
O BPN, doravante chamado de Banco Privado de aNgola, foi parar ao colo de Mira Amaral, excelso social-democrata (será coincidência?) dos tempo de Cavaco Silva (será coincidência)?Prefiro acreditar que este negócio não leva água no BICo mas... espero que os valores das restantes propostas seja tornado público para perceber se a Orangina passa a ser a fragrância que substitui a rosa.
Caso contrário, estará dada a primeira machadada na credibilidade do Governo de Passos Coelho.
Realço que um dos propostos compradores afirmou estar disposto a comprar o BNP por mais de 100 milhões de euros, a acreditar no jornal ionline. De acordo com a mesma publicação, o ganho do Estado com a venda ao BIC resultará num ganho inferior aos 40 milhões que o Governo pretendia. Parece-me que 60 milhões de euros já obrigam a uma explicação pormenorizada do ministro das Finanças, do género da que deu quando explicou a expressão "desvio colossal".PS.: a nova nomenclatura do BPN pode não ficar exactamente assim ;)
domingo, 31 de julho de 2011
Opostos que se atraem
Costuma-se dizer que no meio é que está a virtude, mas é falso. No meio está o homem, prisioneiro dos extremos. Cada vez que nos aproximamos dos extremos há uma força magnética que nos empurra novamente para o centro, para o compromisso, para o consenso, para a paz, para a banalidade, para a serenidade. Contudo, quando nos aproximamos do centro sentimo-nos novamente repelidos para os extremos como se fossemos ímans de cargas opostas. Não aguentamos muito tempo sem criar, sem pensar, sem observar. Não aguentamos muito tempo sem expressar o nosso egoísmo, o instinto que nos leva a fugir do que conhecemos e do que temos para procurar mais. E depois de atingir esse mais, queremos voltar ao aconchego da nossa humanidade para saborear o que alcançámos.

Ambas as forças são energias humanas. Por um lado a criatividade, a diferença, a ansiedade, a agressão, o frenesim, o confronto, a ambição , o individualismo e o egoísmo, a repelirem-nos para os extremos. Por outro, a normalização, a partilha, o consenso a atrairem-nos para o centro. Todos vivemos nesta dualidade que saltita entre a presença e a ausência, entre o sentimento de pertença e a necessidade de afirmação individual. Todos nós nos sentimos puxados em direcções diferentes e abrimos conflitos internos que se vão renovando. Todos nós vivemos no paradoxo em que só poderemos encontrar a liberdade procurando a diferença mas apenas seremos livres quando formos absolutamente iguais.

Ambas as forças são energias humanas. Por um lado a criatividade, a diferença, a ansiedade, a agressão, o frenesim, o confronto, a ambição , o individualismo e o egoísmo, a repelirem-nos para os extremos. Por outro, a normalização, a partilha, o consenso a atrairem-nos para o centro. Todos vivemos nesta dualidade que saltita entre a presença e a ausência, entre o sentimento de pertença e a necessidade de afirmação individual. Todos nós nos sentimos puxados em direcções diferentes e abrimos conflitos internos que se vão renovando. Todos nós vivemos no paradoxo em que só poderemos encontrar a liberdade procurando a diferença mas apenas seremos livres quando formos absolutamente iguais.
Centros de Saúde - o serviço adiado
As minhas experiências recentes em Centros de Saúde não têm sido as melhores. As duas últimas, em Queluz, resultaram em duas entradas no livro de reclamações, de modo que resolvi finalmente inscrever-me em Oeiras, zona da minha residência vai para uns sete anos. Gostava de dizer agora que a mudança foi grande e para melhor mas na realidade não foi. Se descontar a melhoria do edifício, mais recente que o de Queluz e, aparentemente, mais bem dimensionado para a quantidade de utentes que o utiliza, as mudanças ascendem a… zero. Registei, para já, que a burocracia se mantém – já o esperava – e que o mero processo informático de troca de centro de saúde não terá sido bem desenhado ou bem implementado ou então está construído sobre tecnologia obsoleta. O efeito prático resulta em “penso que o seu processo foi alterado mas o melhor é ligar amanhã para ter a certeza”. Se juntarmos este facto à formação deficiente ou incapacidade de actualização por parte das pessoas mais idosas que trabalham no atendimento ao público temos uma grande chatice que nos faz perder bastante tempo.
Depois, finalmente inscrito e registado no sistema, continuo a não poder ter médico de família, o que só é uma chatice porque, conforme me foi explicado pela senhora do atendimento, apesar de eu sustentar todo este sistema com os meus impostos, não tendo médico de família apenas serei atendido no Centro de Saúde da minha área se tiver a felicidade de apanhar uma das TRÊS consultas disponíveis de manhã por ordem de chegada. Todas as restantes consultas estão reservadas! Apesar de pagar mais para este sistema de saúde que a maioria das pessoas que dele usufruem, significando com isso que os meus impostos servem, muito justamente, para permitir que pessoas com menos rendimentos possam ter os cuidados de saúde essenciais acabo, no processo, por ter um serviço pior para mim. E isso é incompreensível e inaceitável. Defendo, por isso, que se deve instituir o fim do privilégio chamado “médico de família”, quer seja porque todos o passamos a ter e deixa de ser um privilégio para passar a ser uma "commodity" ou porque todos o deixamos de ter e passamos a ser atendidos por marcação ou por hora de chegada.
Isto é uma agulha no palheiro. Mas é uma agulha que está espetada em boa parte da população e legitima a má imagem dos serviços de saúde. Por vezes bastam pequenas mudanças para fazer grandes progressos.
Depois, finalmente inscrito e registado no sistema, continuo a não poder ter médico de família, o que só é uma chatice porque, conforme me foi explicado pela senhora do atendimento, apesar de eu sustentar todo este sistema com os meus impostos, não tendo médico de família apenas serei atendido no Centro de Saúde da minha área se tiver a felicidade de apanhar uma das TRÊS consultas disponíveis de manhã por ordem de chegada. Todas as restantes consultas estão reservadas! Apesar de pagar mais para este sistema de saúde que a maioria das pessoas que dele usufruem, significando com isso que os meus impostos servem, muito justamente, para permitir que pessoas com menos rendimentos possam ter os cuidados de saúde essenciais acabo, no processo, por ter um serviço pior para mim. E isso é incompreensível e inaceitável. Defendo, por isso, que se deve instituir o fim do privilégio chamado “médico de família”, quer seja porque todos o passamos a ter e deixa de ser um privilégio para passar a ser uma "commodity" ou porque todos o deixamos de ter e passamos a ser atendidos por marcação ou por hora de chegada.
Isto é uma agulha no palheiro. Mas é uma agulha que está espetada em boa parte da população e legitima a má imagem dos serviços de saúde. Por vezes bastam pequenas mudanças para fazer grandes progressos.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Vacinas para o lixo
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