sábado, 28 de maio de 2011
Tumultos em comício do PS
A palhaçada encontro-a na reacção do candidato Sócrates e dos seus correligionários a este evento. Descartando-o como se fosse um acto de somenos importância, um pintelho de Catroga, um robalo de Vara, um deserto de Lino, uns chifres de Pinho, um palhaço de Maria Nogueira Pinto ou a tia de um qualquer deputado da oposição. Este é o país real, meus caros! Este é o país que olha para o mar e já não acredita que ele seja redondo, mas que no horizonte está o adamastor e um fosso sem fim. É vergonhoso que para se fazer política os socialistas tenham que renegar os seus valores.
A intriga política prontamente preparada pela máquina socialista é outra palhaçada, por ser inverosímil. Para que aquele acto isolado fosse um acto orquestrado pela oposição, teria que se assumir que Pedro Passos Coelho seria um estratega capaz de planear actos futuros e de os capitalizar, conforme se viessem a desenrolar. Mas... será que alguém acredita realmente nisso?
sábado, 21 de maio de 2011
Sopa de letras contra a crise

Dai-me sopa, senhor,
Sopa de letras!
A sopa da pedra escura, dura e bruta
já não enche como outrora
a promessa de ir mais além.
E cada pegada paga
sedimentou a imobilidade
desta nossa alma aziaga.
Educai-me p’lo estômago senhor,
dai-me sopa,
mas sopa de letras!
E um naco de pão.
Saboreai vós as estrelas
e o futuro por elas ditado
no fundo do prato.
Que a panela é vossa, senhor, sei-o bem...
Mas o suor do caldo é o meu
e nele pescarei palavras naufragadas
e, à tona, ungidas de azeite,
soarão como a extrema unção
da minha fome.
Dai-me sopa senhor,
sopa de letras!
E um naco de pão.
Letras pobres e tristes
- deixai-mas!
Mais às que colocaste na borda do prato,
agora verdadeiramente mudas.
Proscritas.
Desgovernada vai a fome
- como vós, senhor! -,
acorda-me o estômago,
em fúria.
Dai-me letras senhor,
mas não mas sopreis ao ouvido.
Afogai-as na sopa,
que eu faço do pão, jangada,
do suor, sal,
da vontade, vento,
das palavras, bandeira,
e da alma, alma!
E mais não é preciso
que um mundo redondo
e um mar sem fim
para se fazer Portugal.
Clique aqui para ler uma nota explicativa:
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O FMI do mundo... outra vez.
O mundo vai acabar outra vez. A chatice é que desta vez foi de um dia para o outro, o que não deixa de ser uma chatice, porque eu tenho combinado um jantar de caracóis e imperiais, o que não me parece nada adequado para uma última ceia!
Bom, a notícia acabou por ser desmentida por outro grupo, conforme se pode ler em baixo:
Grupo agnóstico e suicida anuncia o FMI do mundo em Junho. De acordo com o seu porta-voz, que se não quis identificar, o grupo de "cristãos idiotas" que anunciaram o fim do mundo para amanhã enganaram-se na data e lamenta também que se não tenham suicidado de imediato. Anunciou também que o GAS - grupo agnóstico e suicida vai suicidar-se três horas depois do FMI do mundo. Quando confrontado pelo jornalista sobre se esse hiato temporal servia para garantir que, se o mundo não acabasse, os suicídios não tivessem sido em vão, o porta-voz retorquiu que não, "as três horas servirão para que todos os membros do GAS possam contemplar convenientemente o FMI do mundo. Se se suicidassem antes, perderiam o espectáculo há tanto esperado".
O porta-voz do GAS afirmou ainda que o mundo vai ABACAR primeiro em Portugal e daí, em terramotos sucessivos, vai alastrar-se ao resto do mundo, seguindo mais ou menos pela A6 até à fronteira e em direcção a Madrid.
"Se alguém se quiser juntar a nós para se suicidar e comemorar o FMI do mundo basta que faça uma transferência de 1500 euros para a nossa conta e que venha às reuniões preparatórias em São Bento. Com essa transferência tem direito a duas doses de cianeto, uma caixa de seis pastéis de Belém, uma ginginha, uma mantinha para o chão e uns óculos de sol por causa da luz branca que se costuma ver ao morrer" - afirmou Zé Carlos.
- in jornal I diota.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Sócrates aponta ao Óscar (novamente)
Os quilos de maquilhagem.
Fiquei estupefacto com o comício de ontem do Partido Socialista, onde a encenação assume contornos 'hollywoodescos', com direito a olhos aguados e a cenas de martírio e sofrimento causado por esse bandido - a oposição - e pelos enxovalhos atirados sobre o programa das Novas Oportunidades.
Ver Sócrates a fingir a iminência de uma lágrima deixa-me a mim profundamente emocionado. Só não chorei porque estava com as lentes hidrófilas postas e era uma chatice ficar com as lentes a navegar livremente na retina, para além de poder sofrer danos permanentes na vista e correr o risco de não poder votar convenientemente.
Temos, portanto, cosmética na cara, nas contas do estado, nas contas pessoais, nos comícios, nos comunicados ao país e também na qualificação - na dele e na dos outros.
No que diz respeito às Novas Oportunidades, é bem verdade que é um programa criado para disfarçar a sub-qualificação do nosso país, mas também é verdade que serve outros propósitos, bem mais positivos, tais como permitir que certos indivíduos possam recuperar o atraso no ensino, possam concorrer em igualdade de circunstâncias com outros para cargos públicos ou possam recuperar o amor-próprio, perdido nas vicissitudes da vida.
Tenho pena que instrumentalizem, uns e outros, uma iniciativa que, estando longe de ser perfeita, sempre teve algo de positivo. Ao utilizarem a medida como arma de arremesso, Governo e oposição não fizeram mais do que manchar o esforço legítimo dos que utilizaram correctamente esta oportunidade.
sábado, 14 de maio de 2011
Solo
titubeantes.
Dei-tos à força
p'la força da Lei
que nos atrai.
Se te pressiono
é porque me amas.
Tacteio-te,
suspenso como Babilónia em flor.
Também Amitis foi solo de Nabucodonosor,
um jardim impenetrável
que aproximou nações.
Solo admirável de arreigadas fundações,
gravito inexoravelmente para ti.
Se te pressiono
é porque me suportas
e recebes as minhas pegadas
como um colo.
Levas-me tu e eu deixo-me levar...
Marco-te com o ferro dos meus cascos
e anuncio-te meu.
Tu apenas deixas o tempo escorrer
p'lo barro que fende,
um corpo que desce,
uma alma que ascende.
Se te pressiono
é porque me aceitas
e guardas no teu passado o meu rasto,
guardarás depois também o rosto.
Um pouco de mim fica para o próximo,
o restante para os restantes
mas não agora, não já.
Leva-me, que eu deixo-me levar.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Testemunho - 25 Abril

sexta-feira, 22 de abril de 2011
Factos e Comentários



terça-feira, 19 de abril de 2011
Faremos Isto Mudar
Quando estamos mais vulneráveis física e emocionalmente podemos ser tomados por memes virais, em que ideias simples (e simplórias) para a resolução de problemas complexos se tornam extremamente apelativas para o ser humano. É por isso que existem suicídios em massa, bombistas que se explodem num autocarro ou se adoptam ideais como o nazismo.
Estamos a atravessar um momento de grande vulnerabilidade económica e psicológica. O nosso ego está em baixo, as carteiras vazias, as perspectivas enevoadas.
Ainda assim, é preciso respirar fundo e pensar que nem o FIM do mundo está ao virar da esquina, nem o FMI vai ser o salvador da pátria.
Hungria -país de doidos?
Ai Cavaco, Cavaco, triste música a tua
Evento Sushial VI

segunda-feira, 18 de abril de 2011
O direito a escolher
domingo, 17 de abril de 2011
Evento Sushial V
sábado, 9 de abril de 2011
Portugal 2011
País imaginado fora do tempo
Já não existes, se exististe.
Pasto de vento que move moínhos
Também tu giras sem sair do lugar
E silenciosamente agitas as pás,
Sem fazer farinha
Que te possa salvar.
A cavalo dado não se olha o dente
Diz Judas, de olho na crina áurea
Enquanto lhes beija os quadris.
E como Pilatos lava as mãos
No suor de quem trabalha,
Mártires sem filosofia.
Eia Rocinante, eia!
Lança-te de cascos em lança
Contra esses moínhos de vento!
Eu ordeno-te unicórnio,
O povo fará de Pança
E eu imagino-me o sonhador.
Refundemos a santa trindade
Noutros moínhos,
Que se movam pela força da vontade.
Aticemos a lança com os olhos
Vazios de quem nada tem
Que na sela, viaja a esperança dum lado,
E no outro, cravos ainda por sangrar.
Cavalguemos Sancho! e voaremos
Num vento de bandeiras desfraldadas
Numa chuva de lanças afiadas de sal.
Ala Rocinante, ala!
A cruzada do querer
Começa nas brisas do imaginar.
Eia Rocinante, eia!
Resfolego que vira asas
Asas que viram lanças
Lanças que viram ar.
A cavalo dado não se olha o dente
Lança-ta p'lo ar Rocinante!
Todos somos poucos
Para tantos moínhos de vento!
2011/04/08









