Antes de mais, permitam-me dizer que eu gostaria que o Queiroz se tivesse demitido após o mundial, nem que tivesse alegado fazê-lo porque lhe nascera um furúnculo no pé. Diria mesmo que, após o mundial, confesso, cheguei a desejar que se tivesse demitido antes do mundial. Confesso também que até à substituição do Hugo Almeida na partida com a Espanha fui um defensor do Queiroz, ignorando sinais claros do desnorte que grassava naquela organização. Aquele foi o momento definidor para mim. O momento em que não pude mais defender a minha teoria de que ele só poderia ser avaliado no final do mundial. Em abono da verdade apenas me antecipei em alguns minutos...
No entanto, as jogadas de bastidores que se costumam ver no futebol e as politiquices nojentas que se costumam ver... na política, quando em conjunto, só podem nausear até à morte qualquer pessoa que a elas assista. E não há dúvida nenhuma que a desculpa encontrada por Laurentino Dias e os seus acólitos ou mandantes (alguns conhecidos, outros não) para testar o despedimento de Queiroz, assim à laia de "deixa ver se pega", não passa de uma imunda politiquice de bastidores.
Será que contavam com o apoio da opinião pública, desgostosa após a derrota com a Espanha, para criar uma onda que tornasse insustentável a presença de Queiroz à frente da Selecção - resolvendo um problema à FPF?
Será que foi apenas uma manobra política para capitalizar o descontentamento da opinião pública em proveito de um PS à beira do precipício e, especialmente, em proveito do seu líder, esmagado por tantos escândalos e más decisões e indecisões que lhe têm custado a imagem e a nós a saúde financeira? Nem sequer era a primeira vez que procuravam aproveitar-se do futebol - veja-se o caso Tagus Park/Figo.
Será que sofreu pressões de alguém ligado ao futebol e que estava interessado em colocar outra pessoa no lugar de seleccionador? Talvez alguém mais maleável a certos interesses? Infelizmente os dois candidatos mais prováveis, os presidentes dos dois maiores clubes nacionais, acabaram a defender o seleccionador, não se sabendo com que honestidade, mas essa é outra história. Um facto: dois candidatos subiram imediatamente a terreiro, ainda Laurentino não tinha acabado de falar, a tentar ganhar altura espezinhando Queiroz.
Será que foi apenas um devaneio futebolístico de Laurentino Dias, qual vulgar adepto, choroso com a substituição do Hugo Almeida? Um devaneio que o levou a desejar ardentemente a substituição de Queiroz, fervor partilhado pela esmagadora maioria dos portugueses, é certo, mas notoriamente indecorosa e pornográfica no método, muito mais que as expressões de regressão intra-uterina alegadamente proferidas por Queiroz, dado que foi por demais evidente que nada mais queria do que f**** o seleccionador!
Não estou certo que Laurentino Dias tenha sido o mentor desta ignomínia mas foi quem deu a cara e a credibilidade ao inquérito movido a Queiroz. Confesso até que a primeira ideia que aflorou a minha mente foi que o mentor de tal jogada teria sido o incompetente-mor da monarquia futebolística, o senhor Madaíl, em desespero, agarrado a um calhau no meio de um tsunami. Porém, depois de o ver no final da Supertaça a mediar os dois maiores anjos da guarda de Queiroz neste processo, não sei se o julgue Pedro ou Judas. Quem sabe o tempo nos venha a esclarecer a sua inclinação.
Quanto a Laurentino, demonstrou uma faceta que não lhe conhecia, a da instrumentalização. Talvez porque não lhe tenha prestado muita atenção até hoje...
Já agora, para aqueles que arregalaram os olhos quando leram a expressão "f**** o seleccionador", aviso desde já que me referia a "filar", no sentido de "morder o seleccionador".
Evidentemente!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Glossário I
Automagically:
Magically automatic.
Used when automation solves a problem in such a way that it looks like it has David Copperfield's touch somewhere.
Reference: David Copperfield - a highly renowned magician. If you don't know who he his just think of Criss Angel or the like...
Magically automatic.
Used when automation solves a problem in such a way that it looks like it has David Copperfield's touch somewhere.
Reference: David Copperfield - a highly renowned magician. If you don't know who he his just think of Criss Angel or the like...
sábado, 31 de julho de 2010
Reset
Só há uma forma de conseguirmos um vislumbre que seja sobre a essência de outra pessoa. É preciso limpar a mente de todos os nossos valores, ideias, preconceitos, sentimentos e capacidade computacional. É preciso eliminar aquelas pequenas rotinas insidiosas que se insinuam constantemente e que fazem parte do nosso sistema operativo. São inconscientes, mecânicas, automáticas e recorrentes. Norteiam as bases da nossa intuição e são rotinas de análise e detecção de padrões visuais, de cheiros, de sensações tais como "está frio, está calor" que, antes de serem vocalizadas, já produziram o seu efeito.
É preciso desligar a máquina que nos torna Humanos.
É esta a grande ironia da Humanidade, enquanto adjectivo. É necessário contrariarmos a nossa humanidade, talvez fosse mais correcto chamá-la de individualidade, para percebermos o outro. Livres do nosso próprio lastro, da nossa experiência, podemos partir para o outro ser completamente desprovidos de tudo e mimetizar os seus pensamentos, emoções e acções, como forma de recolha sensorial. Na medida do possível, tentamos tornar-nos um clone do nosso objecto de observação e tentamos senti-lo em primeira mão.
Naturalmente que este processo não é isento de erros, ante pelo contrário, é pródigo neles, mas é a melhor aproximação que podemos almejar conseguir.
Nada disto é novo, nem original. O nosso processo de aprendizagem passa muito pela tentativa-erro e o que proponho não é mais do que reutilizar esse processo num ambiente virgem e não num ambiente contaminado pela nossa individualidade.
É preciso desligar a máquina que nos torna Humanos.
É esta a grande ironia da Humanidade, enquanto adjectivo. É necessário contrariarmos a nossa humanidade, talvez fosse mais correcto chamá-la de individualidade, para percebermos o outro. Livres do nosso próprio lastro, da nossa experiência, podemos partir para o outro ser completamente desprovidos de tudo e mimetizar os seus pensamentos, emoções e acções, como forma de recolha sensorial. Na medida do possível, tentamos tornar-nos um clone do nosso objecto de observação e tentamos senti-lo em primeira mão.
Naturalmente que este processo não é isento de erros, ante pelo contrário, é pródigo neles, mas é a melhor aproximação que podemos almejar conseguir.
Nada disto é novo, nem original. O nosso processo de aprendizagem passa muito pela tentativa-erro e o que proponho não é mais do que reutilizar esse processo num ambiente virgem e não num ambiente contaminado pela nossa individualidade.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Galp devia ser glup
Galp devia mudar o seu nome para glup, de acordo com a vergonha que deveriam estar a sentir os seus administradores. Mas como não estão envergonhados o nome mantém-se e os administradores políticos continuam a auferir os seus salários chorudos em cargos nomeados pelo Governo, enquanto pedem contenção aos sindicatos e negam aumentos aos empregados. E pornograficamente recebem os seus bónus porque atingiram os objectivos de lucro. Naturalmente os empregados não tiveram nada a ver com isso...
E ainda falam da mancha de petróleo provocada pela BP nos EUA... aqui esta mancha dura há anos e mantém-se viscosa como sempre.
Antes, há cerca de um ano, quando os preços do combustível aumentavam ao ritmo dos especuladores mas diminuia a um ritmo inferior aos acertos do mercado, roubaram de forma legal todos os seus clientes sem que o Estado se preocupasse realmente com a situação.
Por isso, senhores fornecedores da Galp, preocupem-se! Se isto tocar a todos, vós sois os próximos.
A grande questão é: porque é que o estado não se preocupa com esta situação? Não se preocupa porque o Estado é constituído pelas elites que amanhã irão ocupar esses cargos. Elites por influência, não por valor ou conhecimento, como é o caso de (quase) todos os detentores de cargos políticos em empresas.
No fundo, onde há petróleo, se nos distanciarmos suficientemente dos pormenores, poderemos ver que nada muda há séculos. Agora, tal como antes, independentemente do regime, há uns poucos que se alimentam dos outros todos e vivem bem com isso. Os do petróleo só estão mais sujos.
E ainda falam da mancha de petróleo provocada pela BP nos EUA... aqui esta mancha dura há anos e mantém-se viscosa como sempre.
Antes, há cerca de um ano, quando os preços do combustível aumentavam ao ritmo dos especuladores mas diminuia a um ritmo inferior aos acertos do mercado, roubaram de forma legal todos os seus clientes sem que o Estado se preocupasse realmente com a situação.
Por isso, senhores fornecedores da Galp, preocupem-se! Se isto tocar a todos, vós sois os próximos.
A grande questão é: porque é que o estado não se preocupa com esta situação? Não se preocupa porque o Estado é constituído pelas elites que amanhã irão ocupar esses cargos. Elites por influência, não por valor ou conhecimento, como é o caso de (quase) todos os detentores de cargos políticos em empresas.
No fundo, onde há petróleo, se nos distanciarmos suficientemente dos pormenores, poderemos ver que nada muda há séculos. Agora, tal como antes, independentemente do regime, há uns poucos que se alimentam dos outros todos e vivem bem com isso. Os do petróleo só estão mais sujos.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
IURD, retroescavadoras e um ensaio sobre a cegueira
Um pobre diabo, completamente transtornado, entrou com uma retroescavadora pelas paredes da Iurd de Faro a dentro mas não conseguiu apanhar nenhum pastor ou agiota, ou lá como se chamam os "padres" daquela seita, acabando por destruir apenas uma porta e a parede envolvente, talvez ainda algumas cadeiras e quiçá algumas molduras penduradas na parede para adoração, com fotografias de notas de 500 euros.
O pobre homem, que tinha sido estropiado de tudo por essa organização, decidiu demonstrar a sua fúria contra as paredes do edifício, já que ninguém pode tocar nos alicerces de uma organização que, sendo moralmente criminosa, não o é aos olhos da Lei... ainda que eu desconfie que a Lei também está de olhos vendados de forma propositada, principalmente o ramo fiscal da Lei. Adiante...
Agora, para lá da desgraça em que se encontrava antes de recorrer à IURD e à desgraça em que se encontra depois de recorrer à IURD, ainda vai ter que levar com um processo em cima, porque a Justiça é cega. Cega, porque se deixa cegar. É bem sabido que as notas têm um produto químico que causa cegueira...
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Génio - profissão: pastor de estrelas
Sempre nutri uma simpatia pela figura do génio, especialmente do excêntrico, cujo expoente máximo foi Einstein e a sua fotografia com o cabelo em pé e a língua de fora.
Os "génios" são elementos aglutinadores na História da Humanidade. Quais buracos negros dos quais matéria alguma escapa, parecem exercer uma força gravitacional irresistível que atrai os seus contemporâneos, os seus sucessores e até os próprios eventos que moldaram a nossa História, para o seu interior. Porventura é mais fácil imaginar a História mapeada como se fora um céu estrelado que, olhado por baixo, revelaria os génios como sendo os planetas e os acontecimentos importantes as estrelas, ambos pequenos alfinetes luminosos na malha da realidade, mas aqueles que se conseguem identificar de imediato e que sobressaem da bruma que envolve tudo o resto.
Não deixa de ser curioso porém que, para manter essa comparação, se esteja a cair em contradição, dado que a corrente científica mais respeitada na actualidade indica que as galáxias se estão a afastar cada vez mais e os cientistas e as correntes científicas, pelo contrário, se estão a concentrar. Na antiguidade, a genialidade era uma expressão que resultava mais do isolamento, do individualismo e da subtracção. Era o resultado de uma mente brilhante, muito acima dos seus contemporâneos que trilhava sozinho um determinado caminho. Hoje em dia, a especialização continua (e continuará) a existir mas também se começa a assistir ao movimento contrário, à generalização, combinando diversos ramos da ciência e unificando-os numa única teoria que satisfaz as necessidades de todos.
A compreensão da nossa realidade passa por juntar essas peças recortadas pela especialização, combiná-las de forma adequada e conseguir perceber a lógica de tudo o que nos rodeia, visível ou invisível.
Estas correntes, estas forças dinâmicas, atravessam os povos, as culturas, as ideologias, as economias, as epistemologias; invadem-nas, perfuram-nas, incorporam-se nelas e extravasam os limites da sua origem, reflectindo-se de várias formas nas fibras que compõem a nossa realidade. Podemos observá-lo no crescimento das redes sociais, na cooperação virtual, no crescimento incomensurável da informação, do conhecimento, da visibilidade em tempo real; também na importância crescente do papel dos recursos humanos nas organizações, na obsessão pela qualidade, no crescimento das capacidades de liderança, no pensamento estratégico e no pensamento científico; ainda no ambientalismo emergente, na evolução da religiosidade para a espiritualidade, nos produtos, na indústria e no lazer.
Tudo está a evoluir. Tudo está a crescer de forma cada vez mais integrada. Os ramos que se vão diversificando encontram novos pontos de contacto, por vezes distintos das próprias raízes. Uma das teorias recentes, indica até que o conhecimento vai continuar a crescer infinitamente até o fim dos tempos, venha ele como vier.
Qual o papel dos génios agora?
O mesmo de sempre.
Não deixar que se apague o brilho das estrelas.
Os "génios" são elementos aglutinadores na História da Humanidade. Quais buracos negros dos quais matéria alguma escapa, parecem exercer uma força gravitacional irresistível que atrai os seus contemporâneos, os seus sucessores e até os próprios eventos que moldaram a nossa História, para o seu interior. Porventura é mais fácil imaginar a História mapeada como se fora um céu estrelado que, olhado por baixo, revelaria os génios como sendo os planetas e os acontecimentos importantes as estrelas, ambos pequenos alfinetes luminosos na malha da realidade, mas aqueles que se conseguem identificar de imediato e que sobressaem da bruma que envolve tudo o resto.
Não deixa de ser curioso porém que, para manter essa comparação, se esteja a cair em contradição, dado que a corrente científica mais respeitada na actualidade indica que as galáxias se estão a afastar cada vez mais e os cientistas e as correntes científicas, pelo contrário, se estão a concentrar. Na antiguidade, a genialidade era uma expressão que resultava mais do isolamento, do individualismo e da subtracção. Era o resultado de uma mente brilhante, muito acima dos seus contemporâneos que trilhava sozinho um determinado caminho. Hoje em dia, a especialização continua (e continuará) a existir mas também se começa a assistir ao movimento contrário, à generalização, combinando diversos ramos da ciência e unificando-os numa única teoria que satisfaz as necessidades de todos.
A compreensão da nossa realidade passa por juntar essas peças recortadas pela especialização, combiná-las de forma adequada e conseguir perceber a lógica de tudo o que nos rodeia, visível ou invisível.
Estas correntes, estas forças dinâmicas, atravessam os povos, as culturas, as ideologias, as economias, as epistemologias; invadem-nas, perfuram-nas, incorporam-se nelas e extravasam os limites da sua origem, reflectindo-se de várias formas nas fibras que compõem a nossa realidade. Podemos observá-lo no crescimento das redes sociais, na cooperação virtual, no crescimento incomensurável da informação, do conhecimento, da visibilidade em tempo real; também na importância crescente do papel dos recursos humanos nas organizações, na obsessão pela qualidade, no crescimento das capacidades de liderança, no pensamento estratégico e no pensamento científico; ainda no ambientalismo emergente, na evolução da religiosidade para a espiritualidade, nos produtos, na indústria e no lazer.
Tudo está a evoluir. Tudo está a crescer de forma cada vez mais integrada. Os ramos que se vão diversificando encontram novos pontos de contacto, por vezes distintos das próprias raízes. Uma das teorias recentes, indica até que o conhecimento vai continuar a crescer infinitamente até o fim dos tempos, venha ele como vier.
Qual o papel dos génios agora?
O mesmo de sempre.
Não deixar que se apague o brilho das estrelas.
terça-feira, 6 de julho de 2010
O Fixe
Este post deve a sua existência a um amigo meu que me disse que eu o faria ainda antes de eu pensar nisso. Como tal, aqui está o dito, ainda que de forma muito tardia e num contexto absolutamente diferente do esperado :).
Quem é "O Fixe"?
"O Fixe" é aquele indivíduo de quem toda a gente gosta, mas não o suficiente. É uma pessoa que não é líder de grupo mas que tem alguma coisa de que se gosta; ou porque é engraçado, ou porque está disponível, ou porque é bem disposto, ou porque cria boa disposição, ou porque tem um feitio particular que o diferencia dos outros e que, em dadas circunstâncias, o tornam alguém interessante ou de confiança ou apenas porque é alguém que não leva a mal qualquer tipo de brincadeira ou que alinha em qualquer tipo de iniciativa, tornando-se por isso uma vítima preferencial.
"O Fixe" é alguém de quem nos lembramos logo a seguir aos melhores amigos, mas antes dos apenas conhecidos. É alguém a quem somos capazes de telefonar para um jantar a 8 quando ainda só temos sete e precisamos de alguém e já tentámos aqueles que estão mais próximos. É alguém a quem pediríamos o seu guarda-chuva para nos abrigarmos, mesmo que esse alguém ficasse à chuva... provavelmente "O Fixe" passaria pela chuva sem se molhar, transformando-se em apenas mais uma gota, pensaríamos nós... ou num registo mais corriqueiro: "ele não se importa" ou "ele está habituado".
Por isso, "O Fixe" é a vítima preferencial de exploração. Ele não gosta de ser explorado, mas quer sentir-se integrado e esforça-se por isso, sujeitando-se muitas vezes às diatribes dos outros... e às desconsiderações. Costuma ser o primeiro a ajudar, o primeiro a perguntar, o primeiro a oferecer e o primeiro a dar, porque não é egoísta e porque pensa que há um momento para dar e outro para receber e alguém tem que tomar a iniciativa, passar a ponte para o outro lado. Naturalmente, fica à espera que acabem por voltar juntos dessa ponte, em comunhão amistosa e num plano de igualdade, não porque o que se dá e o que se recebe tenha que ser medido e tenha que ser quantificado de igual modo, apenas porque "O Fixe" pensa que a reciprocidade é a única forma saudável de existência. É também por isso que quando o "Fixe" recebe alguma coisa, fica em pulgas para retribuir.
"O Fixe" não é, nunca, a primeira opção. Por isso, "Fixe" acaba por ser uma metáfora. Tal como "simpática" num contexto machista ou sexista. É alguém que apreciamos o suficiente mas não o bastante e, por isso, acaba por se tornar alguém que navega nas franjas dos grupos sociais, muitas vezes sem pertencer de facto a lado algum.
Os filmes americanos e a cultura anglo-saxónica utilizam muito um conceito semelhante, o do "underdog", mas com uma variante: o "underdog" é um "Fixe" que, em dado momento, consegue atingir alguma notoriedade, porque demonstrou ser melhor que os outros em alguma coisa. Só que nesse preciso momento deixa de ser "underdog". Enquanto "underdog" pode ser tolerado, mas nunca reconhecido.
Eu gosto de "Fixes". Às vezes sou um.
Já agora, o "Fixe" a que o meu amigo se refere é um empregado de mesa que nos serviu um destes dias. Num jantar onde quase tudo correu mal ao tipo, porque se esqueceu de alguns pratos, porque trocava os pratos, porque se enganou na mesa atribuída, porque entretanto vinha a responsável ver o que é que se passava, entre outras peripécias que já se perderam da memória, acabou por tentar ser mais simpático e prestável do que era exigido, por exemplo, dizendo que depois compensava e que se esqueceria de colocar os cafés na conta, contando a história da sua vida até à exaustão, não me refiro à exaustão do tema, mas à exaustão da paciência do meu amigo. Neste caso o "Fixe" foi um papel desempenhado pelo empregado de mesa, para tentar apagar a sua inexperiência e o mau serviço que daí resultou e nada tem a ver com o outro "Fixe".
... ... E como eu sou um bocadinho chato no que respeita ao serviço em restaurantes... ... e tenho um historial de reclamações... ...esperava-se que eu reagisse ao mau serviço... só que não o fiz... e não o fiz porque cada vez que o empregado de mesa cometia um erro procurava de imediato corrigi-lo e compensar esse erro de alguma forma, nem que fosse com paleio. E essa atitude positiva é de louvar e é contrária às trombas com que os empregados habitualmente recebem as reclamações, que é o que me faz passar de alarme amarelo para alarme vermelho num segundo. Não admito que um empregado de mesa não atenda uma reclamação com lisura, respeito e interesse, afinal a culpa pode não ser dele mas seguramente não é do cliente.
Enfim, ambos os "Fixes" precisam de um «fix», é o que é!
Quem é "O Fixe"?
"O Fixe" é aquele indivíduo de quem toda a gente gosta, mas não o suficiente. É uma pessoa que não é líder de grupo mas que tem alguma coisa de que se gosta; ou porque é engraçado, ou porque está disponível, ou porque é bem disposto, ou porque cria boa disposição, ou porque tem um feitio particular que o diferencia dos outros e que, em dadas circunstâncias, o tornam alguém interessante ou de confiança ou apenas porque é alguém que não leva a mal qualquer tipo de brincadeira ou que alinha em qualquer tipo de iniciativa, tornando-se por isso uma vítima preferencial.
"O Fixe" é alguém de quem nos lembramos logo a seguir aos melhores amigos, mas antes dos apenas conhecidos. É alguém a quem somos capazes de telefonar para um jantar a 8 quando ainda só temos sete e precisamos de alguém e já tentámos aqueles que estão mais próximos. É alguém a quem pediríamos o seu guarda-chuva para nos abrigarmos, mesmo que esse alguém ficasse à chuva... provavelmente "O Fixe" passaria pela chuva sem se molhar, transformando-se em apenas mais uma gota, pensaríamos nós... ou num registo mais corriqueiro: "ele não se importa" ou "ele está habituado".
Por isso, "O Fixe" é a vítima preferencial de exploração. Ele não gosta de ser explorado, mas quer sentir-se integrado e esforça-se por isso, sujeitando-se muitas vezes às diatribes dos outros... e às desconsiderações. Costuma ser o primeiro a ajudar, o primeiro a perguntar, o primeiro a oferecer e o primeiro a dar, porque não é egoísta e porque pensa que há um momento para dar e outro para receber e alguém tem que tomar a iniciativa, passar a ponte para o outro lado. Naturalmente, fica à espera que acabem por voltar juntos dessa ponte, em comunhão amistosa e num plano de igualdade, não porque o que se dá e o que se recebe tenha que ser medido e tenha que ser quantificado de igual modo, apenas porque "O Fixe" pensa que a reciprocidade é a única forma saudável de existência. É também por isso que quando o "Fixe" recebe alguma coisa, fica em pulgas para retribuir.
"O Fixe" não é, nunca, a primeira opção. Por isso, "Fixe" acaba por ser uma metáfora. Tal como "simpática" num contexto machista ou sexista. É alguém que apreciamos o suficiente mas não o bastante e, por isso, acaba por se tornar alguém que navega nas franjas dos grupos sociais, muitas vezes sem pertencer de facto a lado algum.
Os filmes americanos e a cultura anglo-saxónica utilizam muito um conceito semelhante, o do "underdog", mas com uma variante: o "underdog" é um "Fixe" que, em dado momento, consegue atingir alguma notoriedade, porque demonstrou ser melhor que os outros em alguma coisa. Só que nesse preciso momento deixa de ser "underdog". Enquanto "underdog" pode ser tolerado, mas nunca reconhecido.
Eu gosto de "Fixes". Às vezes sou um.
Já agora, o "Fixe" a que o meu amigo se refere é um empregado de mesa que nos serviu um destes dias. Num jantar onde quase tudo correu mal ao tipo, porque se esqueceu de alguns pratos, porque trocava os pratos, porque se enganou na mesa atribuída, porque entretanto vinha a responsável ver o que é que se passava, entre outras peripécias que já se perderam da memória, acabou por tentar ser mais simpático e prestável do que era exigido, por exemplo, dizendo que depois compensava e que se esqueceria de colocar os cafés na conta, contando a história da sua vida até à exaustão, não me refiro à exaustão do tema, mas à exaustão da paciência do meu amigo. Neste caso o "Fixe" foi um papel desempenhado pelo empregado de mesa, para tentar apagar a sua inexperiência e o mau serviço que daí resultou e nada tem a ver com o outro "Fixe".
... ... E como eu sou um bocadinho chato no que respeita ao serviço em restaurantes... ... e tenho um historial de reclamações... ...esperava-se que eu reagisse ao mau serviço... só que não o fiz... e não o fiz porque cada vez que o empregado de mesa cometia um erro procurava de imediato corrigi-lo e compensar esse erro de alguma forma, nem que fosse com paleio. E essa atitude positiva é de louvar e é contrária às trombas com que os empregados habitualmente recebem as reclamações, que é o que me faz passar de alarme amarelo para alarme vermelho num segundo. Não admito que um empregado de mesa não atenda uma reclamação com lisura, respeito e interesse, afinal a culpa pode não ser dele mas seguramente não é do cliente.
Enfim, ambos os "Fixes" precisam de um «fix», é o que é!
sábado, 26 de junho de 2010
O padeiro de Aljubarrota
Mesmo reconhecendo que boa parte da situação actual não é imputável ao Governo parece-me impossível, neste momento, defender José Sócrates e o Governo que navega na sombra da sua liderança, sem cair no ridículo.
Ainda assim, parece-me um pouco desajustado chamar à liça as invasões francesas e a forma como foram rechaçadas (segundo creio, este aspecto nem sequer é consensual...) e a crise actual. Não se luta contra a crise como se luta contra os invasores... a não ser que a mensagem de luta não fosse contra a crise mas contra o Governo de José Sócrates...
domingo, 20 de junho de 2010
"Não tenhamos pressa mas não percamos tempo"
Li esta frase como sendo de Saramago, não sei de que obra. Nem sequer tenho a certeza que seja dele de facto mas, mesmo que não seja sua criação é algo que me parece descrever tudo aquilo que Saramago representou ou que quis representar. Pode não concordar-se com a sua ideologia, com o seu pensamento, com a sua atitude, até com a pontuação das suas obras mas, olhando para lá do óbvio, esta é a mensagem por si gritada a quem o quis ouvir. Talvez o seu legado não passe de um grito de revolta contra o que está mal em nós portugueses e pior, que não passe dos livros onde o registou com eloquência, mas pelo menos gritou aquilo que todos nós sabemos ser e com o qual não sabemos lidar, preferindo por isso ignorá-lo, fazer-lhe ouvidos moucos, talvez assim desapareça e nos tornemos um povo melhor, sem o esforço e sem o mérito. Talvez a sorte nos bafeje e possamos ignorar Saramago, dizer-lhe "bandido! quiseste enganar-nos! Trabalha tu, muda tu, revolta-te tu! Eu nasci português, que mais preciso eu? Alguém há-de cuidar de nós". Talvez...
Podemos continuar todos cegos... ou podemos deixar de perder tempo, calmamente construindo um novo futuro.
Saramago ia gostar disso certamente, mesmo que esse futuro fosse capitalista e católico.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Assim também eu!
Caixa D'Óculos
O secretário de estado Emanuel dos Santos brilhou intensamente durante o debate no Parlamento sobre política fiscal com a rábula dos óculos. De cada vez que baixava a cabeça para ler caíam-lhe os óculos. Para alguns, esta poderá ter sido uma manobra especificamente fabricada para distrair os deputados.
Qual a tua opinião?
1) Quis imitar o Sousa Franco
2) Tinha acabado de chegar de uma tourada
3) Tinha acabado de utilizar grandes quantidades de gel para a gripe A
4) Foi uma alegoria à popularidade do Governo
5) Foi uma alegoria à situação escorregadia da nossa economia
6) Esqueceu-se das lentes
Qual a tua opinião?
1) Quis imitar o Sousa Franco
2) Tinha acabado de chegar de uma tourada
3) Tinha acabado de utilizar grandes quantidades de gel para a gripe A
4) Foi uma alegoria à popularidade do Governo
5) Foi uma alegoria à situação escorregadia da nossa economia
6) Esqueceu-se das lentes
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Baú das memórias
Por vezes encontramos baús esquecidos com coisas esquecidas lá dentro.
Dos tempos em que eu ia ser uma estrela do RoqAndRol :)
Baú dos sonhos
Hoje estive tão perto de ti
que quase te toquei.
A tua respiração eriçou-me os pelos do braço.
Acordei
E chorei.
Derramei amor nas penas da almofada
e enxuguei os olhos aos trinados da alvorada.
Sinto os sonhos tão reais
tão mais que a vida, tão mais...
que até sonho em não acordar
e acordo com falta de ar,
não me faz falta enquanto vivo no sonho
e até sonho que me falta o sono
e que não me deito para não dormir
e não durmo para não acordar...
e continuar assim a sonhar.
Hoje estive tão perto de ti
que a minha pele mimetizou a tua cor,
o teu cheiro e o teu suor.
Adormeci
e sonhei.
Sonhei que sonhava acordado
e acordei contigo a meu lado.
Nao respiro, resisto... resisto...
Se não respirar não acordo, insisto...
Não te toco, corpo ou aparição.
Insisto... insisto... não resisto,
aproximo de ti a minha mão
e esfuma-se no ar a ilusão.
Acordei do sonho em que dormia
e chorei sem saber se eram lágrimas sonhadas
ou se era o sonho desfeito em lágrimas.
Dos tempos em que eu ia ser uma estrela do RoqAndRol :)
Baú dos sonhos
Hoje estive tão perto de ti
que quase te toquei.
A tua respiração eriçou-me os pelos do braço.
Acordei
E chorei.
Derramei amor nas penas da almofada
e enxuguei os olhos aos trinados da alvorada.
Sinto os sonhos tão reais
tão mais que a vida, tão mais...
que até sonho em não acordar
e acordo com falta de ar,
não me faz falta enquanto vivo no sonho
e até sonho que me falta o sono
e que não me deito para não dormir
e não durmo para não acordar...
e continuar assim a sonhar.
Hoje estive tão perto de ti
que a minha pele mimetizou a tua cor,
o teu cheiro e o teu suor.
Adormeci
e sonhei.
Sonhei que sonhava acordado
e acordei contigo a meu lado.
Nao respiro, resisto... resisto...
Se não respirar não acordo, insisto...
Não te toco, corpo ou aparição.
Insisto... insisto... não resisto,
aproximo de ti a minha mão
e esfuma-se no ar a ilusão.
Acordei do sonho em que dormia
e chorei sem saber se eram lágrimas sonhadas
ou se era o sonho desfeito em lágrimas.
domingo, 13 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
O líder carismático
Um líder carismático é aquele que transforma as ideias em palavras e as palavras em imagens, porque toda a gente compreende imagens, ainda que nem todos compreendam as palavras.
Poderá ser-se um líder carismático apenas porque se repete o que um outro líder carismático disse uma vez?
Há líderes ou aspirantes a líder que escolhem um líder comprovado e sempre que podem enfiam uma bucha: gosto de repetir o que disse Sun Tzu "bla, bla, bla" ou, vocês sabem que eu gosto de Winston Churchill e ele disse algo como...
Estas citações e referências parecem-me sempre muletas de quem não sabe criar as imagens necessárias para criar uma ideologia e uma ligação com a sua audiência e, por isso, vê-se na obrigação de seguir o caminho fácil da cópia. Assim, monta o seu discurso construindo um edifício assente em várias pedras de toque que não são de sua autoria e onde apenas decidiu a côr que embeleza o exterior para lhe dar algum contexto. Além disso, é curioso como as citações dos famosos são ditas com soberba e orgulho, como se por repeti-las as tornassem suas e legitimassem todo o seu discurso... afinal, Winston Churchill disse que um optimista transforma um problema numa oportunidade, por isso vamos lá vender mais retretes. E, de repente, a associação das retretes a Winston Churchill surge aos olhos do aspirante a líder como o seu próprio momento de glória e brilhantismo, o momento em que o seu discurso se revelou rico, culto e extremamente significante; no fundo, significante como uma retrete antes de se puxar o autoclismo. Pobre Winston, se calhar nem soube o que era um autoclismo!
Compreendo a estupefacção de quem me conheça, porque eu digo que gosto de frases feitas e essas incluem as citações de muito boa gente, que sintetizou uma realidade, uma ideia ou uma mensagem num conjunto restrito de palavras ou imagens. Porém, custa-me a engolir que essas imagens sejam estropiadas ou descontextualizadas, que se usem sem parcimónia e custa-me a aceitar que alguém se julgue um génio apenas porque é um papagaio.
O que falha na construção do edifício discursivo descrito em cima é tão apenas a credibilidade. A utilização de alguém de renome tem o objectivo de atribuir a credibilidade que falta ao orador mas, quando se utilizam os outros com frequência, acaba-se por demonstrar a incapacidade de pensar por si próprio, de construir o sonho, a mensagem a ideologia que fará a audiência imaginar, seguir e defender. Revelam as suas fragilidades e desvirtualizam as ideias originais porque não há substância em pessoas ocas nem há mérito na repetição pela repetição. Ou a repetição acrescenta algo de novo ou é apenas um embuste mal encoberto e esses são facilmente entendidos como tal. E destroem a liderança desses pretendentes.
Poderá ser-se um líder carismático apenas porque se repete o que um outro líder carismático disse uma vez?
Há líderes ou aspirantes a líder que escolhem um líder comprovado e sempre que podem enfiam uma bucha: gosto de repetir o que disse Sun Tzu "bla, bla, bla" ou, vocês sabem que eu gosto de Winston Churchill e ele disse algo como...
Estas citações e referências parecem-me sempre muletas de quem não sabe criar as imagens necessárias para criar uma ideologia e uma ligação com a sua audiência e, por isso, vê-se na obrigação de seguir o caminho fácil da cópia. Assim, monta o seu discurso construindo um edifício assente em várias pedras de toque que não são de sua autoria e onde apenas decidiu a côr que embeleza o exterior para lhe dar algum contexto. Além disso, é curioso como as citações dos famosos são ditas com soberba e orgulho, como se por repeti-las as tornassem suas e legitimassem todo o seu discurso... afinal, Winston Churchill disse que um optimista transforma um problema numa oportunidade, por isso vamos lá vender mais retretes. E, de repente, a associação das retretes a Winston Churchill surge aos olhos do aspirante a líder como o seu próprio momento de glória e brilhantismo, o momento em que o seu discurso se revelou rico, culto e extremamente significante; no fundo, significante como uma retrete antes de se puxar o autoclismo. Pobre Winston, se calhar nem soube o que era um autoclismo!
Compreendo a estupefacção de quem me conheça, porque eu digo que gosto de frases feitas e essas incluem as citações de muito boa gente, que sintetizou uma realidade, uma ideia ou uma mensagem num conjunto restrito de palavras ou imagens. Porém, custa-me a engolir que essas imagens sejam estropiadas ou descontextualizadas, que se usem sem parcimónia e custa-me a aceitar que alguém se julgue um génio apenas porque é um papagaio.
O que falha na construção do edifício discursivo descrito em cima é tão apenas a credibilidade. A utilização de alguém de renome tem o objectivo de atribuir a credibilidade que falta ao orador mas, quando se utilizam os outros com frequência, acaba-se por demonstrar a incapacidade de pensar por si próprio, de construir o sonho, a mensagem a ideologia que fará a audiência imaginar, seguir e defender. Revelam as suas fragilidades e desvirtualizam as ideias originais porque não há substância em pessoas ocas nem há mérito na repetição pela repetição. Ou a repetição acrescenta algo de novo ou é apenas um embuste mal encoberto e esses são facilmente entendidos como tal. E destroem a liderança desses pretendentes.
Consultoria
Consultor: "Não há dinheiro, não há palhaço".
Cliente: "Há palhaço sim senhor. Mas não trabalha".
Cliente: "Há palhaço sim senhor. Mas não trabalha".
O uso da letra
Hoje formatei o meu laptop. É um processo que demora várias horas e, nesse tempo, pude olhar para várias coisas com outros olhos. Por exemplo, alguma vez repararam nas letras que usam com mais frequência?
O desgaste das teclas indicia que as letras mais usadas por mim são: ASDERTUIOHCBNM.
Depois, com menção honrosa: PL
E, por fim, todas as outras.
Seria engraçado perceber se esta evidência se relaciona apenas com o meu vocabulário ou se é representativo da generalidade das pessoas.
Neste post foram utilizadas (excluindo a própria tabela):
Depois, com menção honrosa: PL
E, por fim, todas as outras.
Seria engraçado perceber se esta evidência se relaciona apenas com o meu vocabulário ou se é representativo da generalidade das pessoas.
Neste post foram utilizadas (excluindo a própria tabela):
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Abandono
Para quem gosta de criar a destruição é penosa e a justificação de que é preciso destruir para dar espaço à criação não me convence totalmente. Fico angustiado quando tal acontece, como fico angustiado com a evolução natural da vida em que uns morrem para dar lugar a outros.
Quando criamos alguma coisa ou disso temos a ilusão, essa "coisa" passa a fazer parte de nós, mais um punhado de átomos que, por acaso, estão fora do nosso corpo mas que têm o nosso código genético ou a nossa impressão digital.
É por essa razão que guardamos com carinho coisas absurdas como desenhos, cadernos da primária, figuras de barro dos nossos filhos (uma extensão de nós), ou aquele cinzeiro em barro que fizemos no preparatório. Apesar de não terem utilidade nenhuma e ficarem apenas a ocupar um espaço qualquer numa gaveta ou numa arrecadação representam algo nosso, algo a que dedicamos atenção, suor e carinho.
Por esse motivo é difícil destruir algo. Por isso é difícil deixar algo para trás, que abandonar é o mesmo que destruir, com a diferença de não sermos nós a executar a sentença final. Alguém se encarregará disso, quem sabe, o tempo.
Quando criamos alguma coisa ou disso temos a ilusão, essa "coisa" passa a fazer parte de nós, mais um punhado de átomos que, por acaso, estão fora do nosso corpo mas que têm o nosso código genético ou a nossa impressão digital.
É por essa razão que guardamos com carinho coisas absurdas como desenhos, cadernos da primária, figuras de barro dos nossos filhos (uma extensão de nós), ou aquele cinzeiro em barro que fizemos no preparatório. Apesar de não terem utilidade nenhuma e ficarem apenas a ocupar um espaço qualquer numa gaveta ou numa arrecadação representam algo nosso, algo a que dedicamos atenção, suor e carinho.
Por esse motivo é difícil destruir algo. Por isso é difícil deixar algo para trás, que abandonar é o mesmo que destruir, com a diferença de não sermos nós a executar a sentença final. Alguém se encarregará disso, quem sabe, o tempo.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
A Muse
Do you hear'em coming?
Do you feel their soft silky skin, rushing by you, almost touching you but never actually doing so?
Do you sense'em drifting in the corner of the eye, mixing up illusion and delusion, always promising and denying at the same time?
Do you hear them singing like Wendy James?
Can you listen to the muffled sound of their illusive footsteps?
Can you feel the momentum when something new is almost sprouting and suddenly it bursts into smithereens?
They allure and inspire. They divert and decoy.
They'll blow you a kiss, but it never reaches your cheeck - it's there, for all infinity, apparently getting near but never reaching it's destiny.
If you fall in love with the doomed are you to be doomed too?
quarta-feira, 26 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Livros
A melhor maneira de um livro nos agarrar desde o primeiro momento é dizer na primeira página: Este livro é para ti, Gelo.
Funciona como quando vamos numa rua movimentada, na época de natal, no meio de dezenas de pessoas e ouvimos alguém gritar o nosso nome. Inevitavelmente, viramos a cabeça, procuramos detectar quem chama por nós.
Quando a primeira página de um livro descreve algo visceral do autor e essa preocupação encaixa, sem tirar nem pôr, na tua maneira de ver ou sentir a realidade, então esse livro só pode ser para ti. E ficas agarrado, passa a ser a tua Bíblia. É essa a razão do sucesso da Bíblia e de qualquer outro livro religioso. Eles foram concebidos como se fossem para cada um de nós, endereçando a preocupação mais básica e instintiva de todas - a morte - para além das restantes preocupações básicas, de modo a não alienar ninguém. Mas de algum modo, todos nos identificamos com a morte e com a vontade de viver. É essa vontade que nos leva a querer viver uma vida dentro de outra, duplicando, pelo menos, o nosso período de vida sensorial com uma ou mais realidades virtuais. Uns encontram essa realidade virtual nos escritos religiosos, outros nas obras Alice no País das das Maravilhas ou Senhor dos Anéis, outros na ficção científica, outros na ciência...
Cada um reage à sua maneira e procura o seu caminho, de acordo com o seu mapa de instintos, medos e desejos. Contudo, como no âmago da nossa existência está uma experiência acumulada de largas centenas de anos, esse facto acaba por se reflectir numa semelhança naquilo que, individualmente, ansiamos.
Por esse motivo é muito interessante que encontremos um livro que diga "Este és tu" e "Este livro é para ti"; "Aqui, encontras alguém, que vive noutro lado qualquer mas tem a tua preocupação, expressa exactamente nas mesmas palavras e com a mesma pontuação".
E como tal, não temos outro remédio se não ler o livro.
Funciona como quando vamos numa rua movimentada, na época de natal, no meio de dezenas de pessoas e ouvimos alguém gritar o nosso nome. Inevitavelmente, viramos a cabeça, procuramos detectar quem chama por nós.
Quando a primeira página de um livro descreve algo visceral do autor e essa preocupação encaixa, sem tirar nem pôr, na tua maneira de ver ou sentir a realidade, então esse livro só pode ser para ti. E ficas agarrado, passa a ser a tua Bíblia. É essa a razão do sucesso da Bíblia e de qualquer outro livro religioso. Eles foram concebidos como se fossem para cada um de nós, endereçando a preocupação mais básica e instintiva de todas - a morte - para além das restantes preocupações básicas, de modo a não alienar ninguém. Mas de algum modo, todos nos identificamos com a morte e com a vontade de viver. É essa vontade que nos leva a querer viver uma vida dentro de outra, duplicando, pelo menos, o nosso período de vida sensorial com uma ou mais realidades virtuais. Uns encontram essa realidade virtual nos escritos religiosos, outros nas obras Alice no País das das Maravilhas ou Senhor dos Anéis, outros na ficção científica, outros na ciência...
Cada um reage à sua maneira e procura o seu caminho, de acordo com o seu mapa de instintos, medos e desejos. Contudo, como no âmago da nossa existência está uma experiência acumulada de largas centenas de anos, esse facto acaba por se reflectir numa semelhança naquilo que, individualmente, ansiamos.
Por esse motivo é muito interessante que encontremos um livro que diga "Este és tu" e "Este livro é para ti"; "Aqui, encontras alguém, que vive noutro lado qualquer mas tem a tua preocupação, expressa exactamente nas mesmas palavras e com a mesma pontuação".
E como tal, não temos outro remédio se não ler o livro.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
A disfunção pública
Sei que é chover no molhado mas em 2010 a função pública continua com um nível de serviço apenas comparável ao da Zon - péssimo. Indecente, por se tratar de um serviço público.
Começa por ser indecente formatar as pessoas a pensar que se querem ser atendidas com alguma celeridade têm que ir dormir para a porta de entrada, encostadinhos a outros indivíduos, perfeitos desconhecidos, que também têm pressa, por alguma razão que só a eles diz respeito. Começa assim a formar-se uma fila com hora e meia de avanço, como se fosse a sopa dos pobres e não tivéssemos outra opção que não esta para comer uma refeição aceitável para sobreviver. Naturalmente, nem a sopa dos pobres deveria ser assim (confesso que não sei se é) mas quando as necessidades básicas apertam a muita gente ao mesmo tempo, até percebo que tal possa acontecer. Depois, as portas abrem e dá-se o corre corre para as senhas - graças a deus que as pessoas já ganharam o nível de civilidade suficiente para não se atropelarem umas às outras - e, recolhido o precioso ingresso para a satisfação das nossas necessidades burocráticas, resta-nos esperar pela nossa vez.

Cheguei em quarto lugar, deverão abrir uns quatro postos de atendimento, logo imagino que serei atendido em 15 minutos. Pura ilusão! Aguardo 50 minutos para ser atendido, apesar de ter sido a quarta pessoa a entrar numa sala, onde estão cinco balcões abertos. Não sei se porque os funcionários ainda não tinham tomado o seu café matinal, se por abrirem menos balcões que o costume, se porque o Benfica foi campeão e estão de ressaca, ou se a conversa casual não estava posta em dia. Posso dizer que testemunhei os dois últimos aspectos quando, finalmente, fui atendido. Aliás, testemunhei-os durante o atendimento.
Lá apareceu o meu número no visor electrónico, levantei-me e dirigi-me ao balcão 8, irritado mas também contido, porque se há coisa que eu aprendi é que não vale a pena exteriorizar essa irritação para os funcionários públicos porque eles não compreendem que estão a trabalhar para os outros, que deverão ser facilitadores da vida e do trabalho dos outros, não o oposto. É uma questão de educação/formação que ainda não está perfeitamente resolvida, ainda que a evolução seja notória, diga-se em abono da verdade.
De qualquer modo, o que acabou por ser mais irritante para mim foi ter a consciência de que fiz um esforço enorme para ser atendido rapidamente e, no fim, fiquei a ver as senhas de todos os outros assuntos a ser despachados à minha frente. Devo ter sido a vigésima pessoa a ser atendida!
Quando finalmente fui atendido, calhou-me em sorte uma senhora idosa, nem simpática nem antipática, que lá foi fazendo o seu serviço com toda a calma do mundo, tirando fotocópias, enganando-se duas vezes a imprimir os documentos, a falar com a chefe que, seguramente não teria muito que fazer e que saía da sua sala para beber água de uma garrafa estrategicamente colocada fora do seu gabinete, na parte mais afastada da sala, provavelmente para que pudesse fazer uns passeiozitos e ter umas conversas de alguidar com as subordinadas.
Enfim, em 15 minutos fui despachado e preparei-me para o próximo embate: uma chamada para o call-center do ministério das Finanças, serviço de apoio técnico, cuja função é ajudar os contribuintes a ultrapassar "pequenos" problemas técnicos, como por exemplo, a emissão de uma certidão. A grande vantagem dos Help-desks telefónicos é que são muito mais rápidos que o atendimento ao público, principalmente porque ali ninguém vai fazer comentários sobre o Benfica ou sobre aquela senhora que disse qualquer coisa e tal. A minha primeira experiência com este serviço, um mês antes, fora aterradora - uma manhã inteira a ligar para me desligarem constantemente o telefone, do outro lado, após alguns segundos. Contudo, a esperança é a última a morrer e até pode ter sido um dia particularmente infeliz, o outro.
Mas vamos ligar o número grátis o quanto antes, que as filas virtuais costumam ser tão grandes como as outras... 707206707, "carregue no 0 para maior facilidade" (o quê?!?!?!), "carregue no 1 por isto" e "carregue no 5 por aquilo".
Resultado: enganei-me e devo ter "discado" os números de um serviço de jukebox, ainda por cima estragado, porque começou a tocar um trecho das quatro estações de Vivaldi, ininterruptamente durante 25 minutos. No entanto, para não perder a vez na fila de entrada telefónica, mesmo não sabendo se também estava em quarto, como na Segurança Social, ou se estava em centésimo oitavo, lá fiquei a ouvir em modo repeat:

Eu que ando mortinho para que o sol volte rapidamente, já não podia ouvir as notas da Primavera de Vivaldi! Tanto tempo estive à espera que podia ter ouvido todas as estações e ainda alguns microclimas!
De tal forma já não esperava que um ser humano me atendesse o telefone que a minha primeira reacção quando a música se calou foi chegar à carteira para colocar mais moedas na jukebox...
E depois de tanto tempo esperar, há que dizer que o atendimento foi rápido, competente e atencioso. Percebo agora porque esteve tanto tempo à espera. Foi o tempo necessário à preparação de um atendimento altamente personalizado e eficaz.
Afinal essas coisas levam tempo, não é?
Começa por ser indecente formatar as pessoas a pensar que se querem ser atendidas com alguma celeridade têm que ir dormir para a porta de entrada, encostadinhos a outros indivíduos, perfeitos desconhecidos, que também têm pressa, por alguma razão que só a eles diz respeito. Começa assim a formar-se uma fila com hora e meia de avanço, como se fosse a sopa dos pobres e não tivéssemos outra opção que não esta para comer uma refeição aceitável para sobreviver. Naturalmente, nem a sopa dos pobres deveria ser assim (confesso que não sei se é) mas quando as necessidades básicas apertam a muita gente ao mesmo tempo, até percebo que tal possa acontecer. Depois, as portas abrem e dá-se o corre corre para as senhas - graças a deus que as pessoas já ganharam o nível de civilidade suficiente para não se atropelarem umas às outras - e, recolhido o precioso ingresso para a satisfação das nossas necessidades burocráticas, resta-nos esperar pela nossa vez.

Cheguei em quarto lugar, deverão abrir uns quatro postos de atendimento, logo imagino que serei atendido em 15 minutos. Pura ilusão! Aguardo 50 minutos para ser atendido, apesar de ter sido a quarta pessoa a entrar numa sala, onde estão cinco balcões abertos. Não sei se porque os funcionários ainda não tinham tomado o seu café matinal, se por abrirem menos balcões que o costume, se porque o Benfica foi campeão e estão de ressaca, ou se a conversa casual não estava posta em dia. Posso dizer que testemunhei os dois últimos aspectos quando, finalmente, fui atendido. Aliás, testemunhei-os durante o atendimento.
Lá apareceu o meu número no visor electrónico, levantei-me e dirigi-me ao balcão 8, irritado mas também contido, porque se há coisa que eu aprendi é que não vale a pena exteriorizar essa irritação para os funcionários públicos porque eles não compreendem que estão a trabalhar para os outros, que deverão ser facilitadores da vida e do trabalho dos outros, não o oposto. É uma questão de educação/formação que ainda não está perfeitamente resolvida, ainda que a evolução seja notória, diga-se em abono da verdade.
De qualquer modo, o que acabou por ser mais irritante para mim foi ter a consciência de que fiz um esforço enorme para ser atendido rapidamente e, no fim, fiquei a ver as senhas de todos os outros assuntos a ser despachados à minha frente. Devo ter sido a vigésima pessoa a ser atendida!
Quando finalmente fui atendido, calhou-me em sorte uma senhora idosa, nem simpática nem antipática, que lá foi fazendo o seu serviço com toda a calma do mundo, tirando fotocópias, enganando-se duas vezes a imprimir os documentos, a falar com a chefe que, seguramente não teria muito que fazer e que saía da sua sala para beber água de uma garrafa estrategicamente colocada fora do seu gabinete, na parte mais afastada da sala, provavelmente para que pudesse fazer uns passeiozitos e ter umas conversas de alguidar com as subordinadas.
Enfim, em 15 minutos fui despachado e preparei-me para o próximo embate: uma chamada para o call-center do ministério das Finanças, serviço de apoio técnico, cuja função é ajudar os contribuintes a ultrapassar "pequenos" problemas técnicos, como por exemplo, a emissão de uma certidão. A grande vantagem dos Help-desks telefónicos é que são muito mais rápidos que o atendimento ao público, principalmente porque ali ninguém vai fazer comentários sobre o Benfica ou sobre aquela senhora que disse qualquer coisa e tal. A minha primeira experiência com este serviço, um mês antes, fora aterradora - uma manhã inteira a ligar para me desligarem constantemente o telefone, do outro lado, após alguns segundos. Contudo, a esperança é a última a morrer e até pode ter sido um dia particularmente infeliz, o outro.
Mas vamos ligar o número grátis o quanto antes, que as filas virtuais costumam ser tão grandes como as outras... 707206707, "carregue no 0 para maior facilidade" (o quê?!?!?!), "carregue no 1 por isto" e "carregue no 5 por aquilo".
Resultado: enganei-me e devo ter "discado" os números de um serviço de jukebox, ainda por cima estragado, porque começou a tocar um trecho das quatro estações de Vivaldi, ininterruptamente durante 25 minutos. No entanto, para não perder a vez na fila de entrada telefónica, mesmo não sabendo se também estava em quarto, como na Segurança Social, ou se estava em centésimo oitavo, lá fiquei a ouvir em modo repeat:
Eu que ando mortinho para que o sol volte rapidamente, já não podia ouvir as notas da Primavera de Vivaldi! Tanto tempo estive à espera que podia ter ouvido todas as estações e ainda alguns microclimas!
De tal forma já não esperava que um ser humano me atendesse o telefone que a minha primeira reacção quando a música se calou foi chegar à carteira para colocar mais moedas na jukebox...
E depois de tanto tempo esperar, há que dizer que o atendimento foi rápido, competente e atencioso. Percebo agora porque esteve tanto tempo à espera. Foi o tempo necessário à preparação de um atendimento altamente personalizado e eficaz.
Afinal essas coisas levam tempo, não é?
sábado, 8 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O fabuloso e estranho mundo interior do Ser Humano
O cérebro, essa coisa gelatinosa e cinzenta, é um computador biológico sobre o qual muito pouco se sabe. Não se sabe com precisão como funciona, ainda que se saiba que as operações são efectuadas com base em descargas eléctricas entre os neurónios. Não se sabe exactamente onde e como armazena a informação que utiliza para essas operações, ainda que já tenhamos identificado áreas do cérebro que reagem consistentemente a certos estímulos. Não sabemos se já descobrimos a totalidade das suas capacidades. Desconhecemos os seus limites.
Esta pequena peça do corpo humano é na realidade a única que é completamente insubstituível para quem acredita em espiritualidade, não necessariamente em religião e essa espiritualidade pode não ser mais do que o conjunto das ligações alguma vez feitas por um determinado cérebro. Poderá ser, essa peça, a alma. Mas também pode não ser. Aparentemente, todas essas ligações poderão ser replicadas facilmente assim que encontremos a tecnologia adequada e isso seria o fim da alma enquanto entidade etérea, enclausurado dentro do corpo humano. Isso dir-nos-ia que o cérebro é apenas um computador orgânico, um computador que utiliza componentes biológicos, como o são os genes, para realizar as operações que os aparelhos a que chamamos computadores replicam com base em metal, plástico, silicone e energia.
Se acreditarmos que uma tecnologia futura permitirá destrinçar o cérebro, tornar-se-á fácil perceber que a alma, a existir, poderá ser replicada e, como tal, perderá a sua espiritualidade. Isto tendo em atenção a realidade que nós experimentamos no dia-a-dia.
Há, contudo, um facto curioso e que era para mim desconhecido até há poucas semanas, fora de um contexto de ficção científica, que pode trazer mais explicações ou confusão ao conceito de alma e ao conceito de espiritualidade. Refiro-me à existência de universos paralelos. Ainda é um tema controverso, mas alguns cientistas concluiram que, sem margem para dúvidas, existem universos paralelos em número infinito e citam algumas experiências que fundamentam explicações extremamente coerentes e convincentes. Ainda não estou preparado para aceitar todas essas explicações, muito menos perceber todas as implicações mas, no fundo, a explicação é tão interessante que eu desejo que seja verdadeira... vá lá saber-se porquê.
Assumamos assim que é verdade a existência desses infinitos universos paralelos e assumamos que é verdadeira a explicação de que existe alguma interferência entre eles. Uma vez que a fundamentação resultou de uma experiência com fotões (partículas de luz), assumamos também que há um impacto dessas partículas no nosso cérebro ou que, de algum modo, essas ou outras partículas que interagem com o nosso cérebro são susceptíveis de interferência.
Se tudo o que afirmei até aqui for verdade, parece que podemos determinar que num universo único a alma não existirá ou será apenas o nome dado a um conjunto de interacções e rotinas efectuadas por um computador, facilmente mimetizáveis e, por isso, sem individualidade. Mas, se considerarmos que existem universos infinitos, com variações ligeiras em todos eles, e que existem interferências entre eles que influenciem o nosso cérebro, então podemos dizer que a alma de um indivíduo pode ser a soma da actividade do seu cérebro adicionada de todas as interferências de todos os universos onde o seu cérebro existe. Parece quase um solipsismo multiuniversal mas não é. Tal hipótese poderia explicar o sobrenatural (sendo que, neste contexto, o natural é o que podemos experimentar no nosso universo) e também a existência de pessoas com capacidades extraordinárias como as que podem encontrar nos links abaixo, e que foram a verdadeira razão pela qual escrevi este post.
Será que a genialidade que demonstram estas pessoas está algures no cérebro de toda a gente neste lado do universo e apenas não se manifesta por uma qualquer razão de selecção natural, em que não houve necessidade ou espaço para o seu crescimento ou será que estão a beber de uma fonte quântica, feita de interferências de outros universos, fechada aos restantes seres humanos?
Seja qual a for a razão, eis o maravilhoso ser humano, que transforma as fraquezas em força.
The living camera
The PI Man
The Human iPod
Rain Man twins
Iceman
The artist with no eyes
The boy who lived before
Esta pequena peça do corpo humano é na realidade a única que é completamente insubstituível para quem acredita em espiritualidade, não necessariamente em religião e essa espiritualidade pode não ser mais do que o conjunto das ligações alguma vez feitas por um determinado cérebro. Poderá ser, essa peça, a alma. Mas também pode não ser. Aparentemente, todas essas ligações poderão ser replicadas facilmente assim que encontremos a tecnologia adequada e isso seria o fim da alma enquanto entidade etérea, enclausurado dentro do corpo humano. Isso dir-nos-ia que o cérebro é apenas um computador orgânico, um computador que utiliza componentes biológicos, como o são os genes, para realizar as operações que os aparelhos a que chamamos computadores replicam com base em metal, plástico, silicone e energia.
Se acreditarmos que uma tecnologia futura permitirá destrinçar o cérebro, tornar-se-á fácil perceber que a alma, a existir, poderá ser replicada e, como tal, perderá a sua espiritualidade. Isto tendo em atenção a realidade que nós experimentamos no dia-a-dia.
Há, contudo, um facto curioso e que era para mim desconhecido até há poucas semanas, fora de um contexto de ficção científica, que pode trazer mais explicações ou confusão ao conceito de alma e ao conceito de espiritualidade. Refiro-me à existência de universos paralelos. Ainda é um tema controverso, mas alguns cientistas concluiram que, sem margem para dúvidas, existem universos paralelos em número infinito e citam algumas experiências que fundamentam explicações extremamente coerentes e convincentes. Ainda não estou preparado para aceitar todas essas explicações, muito menos perceber todas as implicações mas, no fundo, a explicação é tão interessante que eu desejo que seja verdadeira... vá lá saber-se porquê.
Assumamos assim que é verdade a existência desses infinitos universos paralelos e assumamos que é verdadeira a explicação de que existe alguma interferência entre eles. Uma vez que a fundamentação resultou de uma experiência com fotões (partículas de luz), assumamos também que há um impacto dessas partículas no nosso cérebro ou que, de algum modo, essas ou outras partículas que interagem com o nosso cérebro são susceptíveis de interferência.
Se tudo o que afirmei até aqui for verdade, parece que podemos determinar que num universo único a alma não existirá ou será apenas o nome dado a um conjunto de interacções e rotinas efectuadas por um computador, facilmente mimetizáveis e, por isso, sem individualidade. Mas, se considerarmos que existem universos infinitos, com variações ligeiras em todos eles, e que existem interferências entre eles que influenciem o nosso cérebro, então podemos dizer que a alma de um indivíduo pode ser a soma da actividade do seu cérebro adicionada de todas as interferências de todos os universos onde o seu cérebro existe. Parece quase um solipsismo multiuniversal mas não é. Tal hipótese poderia explicar o sobrenatural (sendo que, neste contexto, o natural é o que podemos experimentar no nosso universo) e também a existência de pessoas com capacidades extraordinárias como as que podem encontrar nos links abaixo, e que foram a verdadeira razão pela qual escrevi este post.
Será que a genialidade que demonstram estas pessoas está algures no cérebro de toda a gente neste lado do universo e apenas não se manifesta por uma qualquer razão de selecção natural, em que não houve necessidade ou espaço para o seu crescimento ou será que estão a beber de uma fonte quântica, feita de interferências de outros universos, fechada aos restantes seres humanos?
Seja qual a for a razão, eis o maravilhoso ser humano, que transforma as fraquezas em força.
The living camera
The PI Man
The Human iPod
Rain Man twins
Iceman
The artist with no eyes
The boy who lived before
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Quem não reza não mama
A visita do papa Bento VXI a Portugal tem provocado maus fígados em alguns sectores da sociedade por motivos diferentes. Uns ainda não estão refeitos do escândalo que representa uma instituição como a Igreja esconder um movimento de pedofilia que grassa pela sua estrutura como um cancro maligno alastra pelo corpo; outros, imbuídos de um espírito economicista e conscientes da situação precária do nosso país no que respeita aos deveres e haveres, indignados pelas folgas proporcionadas aos funcionários públicos pelo nosso Estado laico, para que possam observar in loco o beija-mão ao papa. Esta visita faz-me recordar a visita do presidente da Microsoft a Portugal para assinar um acordo com o governo português em que oferecia uns largos milhares de euros hoje para levar 10 vezes mais em 'x' anos... e ainda lhe agradecemos a bonomia caridosa. Também o Papa tem este papel comercial de representação da instituição Igreja. Cada visita que ele faz é usada para angariar fundos e militantes para a sua organização. Não teria nada contra, não fosse o facto de, no final do dia, todas as famílias ficaram mais pobres e o próprio Estado ficar mais pobre, apenas em benefício de uma empresa - a Igreja.

Só encontro uma justificação para isto. O governo de Sócrates não acredita que possa ser possível evitar a falência do país, que parece aproximar-se montada numa cavalgadura negra bestial e fantasmagórica e, por esse motivo, recorre à fé dos portugueses, instigando-os a rezar fervorosamente com o seu líder espiritual, expectante de um milagre salvador.
O erro de raciocínio aqui é, contudo, esmagador. Sócrates esquece-se que o milagre de que precisa não foi feito pelo Deus cristão ou um dos seus acólitos mas por Midas. Este é que transformava tudo em ouro. O primeiro fez História a transformar água em vinho, o que dará jeito para nos esquecermos da desgraça e pão em rosas, que ficarão muito bem no túmulo da nossa nação.
Só encontro uma justificação para isto. O governo de Sócrates não acredita que possa ser possível evitar a falência do país, que parece aproximar-se montada numa cavalgadura negra bestial e fantasmagórica e, por esse motivo, recorre à fé dos portugueses, instigando-os a rezar fervorosamente com o seu líder espiritual, expectante de um milagre salvador.
O erro de raciocínio aqui é, contudo, esmagador. Sócrates esquece-se que o milagre de que precisa não foi feito pelo Deus cristão ou um dos seus acólitos mas por Midas. Este é que transformava tudo em ouro. O primeiro fez História a transformar água em vinho, o que dará jeito para nos esquecermos da desgraça e pão em rosas, que ficarão muito bem no túmulo da nossa nação.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Quando o telefone toca
Estão três pessoas numa pequena sala, sentadas a trabalhar nos seus computadores. Um deles recebe uma chamada, levanta-se e enquanto dura a chamada passeia-se pela sala, gesticulando, absorto de tudo o resto.
Terminada a chamada senta-se.
Eis que o segundo recebe uma chamada telefónica. Levanta-se e recomeça onde o anterior tinha acabado, calcorreando os exíguos metros da sala, telemóvel colado ao ouvido.
Termina a chamada e senta-se.
O terceiro observou o primeiro e ficou a matutar sobre o porquê deste comportamento. Depois observou o segundo e achou graça ao padrão emergente - deve haver mais alguma relação entre as pernas e o ouvido que o mero tímpano! Eis que o terceiro recebe uma chamada. Levanta-se e refaz o percurso dos primeiros, sentando-se apenas quando a chamada termina.
Mas agora teve a oportunidade de experimentar o evento e já pode formular uma teoria com base no instinto que o levou a tomar tal atitude. O impulso que o obrigou a levantar e a simular um afastamento esteve relacionado com a percepção instintiva de que uma conversa telefónica é uma conversa privada. O facto de não ter saído da sala só pode estar relacionado com a conclusão de que a conversa não era de teor realmente privado ou porque, saindo, revelaria que algo naquela conversa não era para ser ouvido por outros e não queria dar essa visibilidade aos restantes, saiba-se lá porquê.
Mas há um comportamento que se mantém uma incógnita: porque é que as pessoas se levantam, andam e gesticulam enquanto falam ao telemóvel? O mesmo não acontece quando falamos de um telefone fixo, não é? E não me parece que a forma ou o teor da conversa se altere usando um outro telefone.
Alguma ideia?
Terminada a chamada senta-se.
Eis que o segundo recebe uma chamada telefónica. Levanta-se e recomeça onde o anterior tinha acabado, calcorreando os exíguos metros da sala, telemóvel colado ao ouvido.
Termina a chamada e senta-se.
O terceiro observou o primeiro e ficou a matutar sobre o porquê deste comportamento. Depois observou o segundo e achou graça ao padrão emergente - deve haver mais alguma relação entre as pernas e o ouvido que o mero tímpano! Eis que o terceiro recebe uma chamada. Levanta-se e refaz o percurso dos primeiros, sentando-se apenas quando a chamada termina.
Mas agora teve a oportunidade de experimentar o evento e já pode formular uma teoria com base no instinto que o levou a tomar tal atitude. O impulso que o obrigou a levantar e a simular um afastamento esteve relacionado com a percepção instintiva de que uma conversa telefónica é uma conversa privada. O facto de não ter saído da sala só pode estar relacionado com a conclusão de que a conversa não era de teor realmente privado ou porque, saindo, revelaria que algo naquela conversa não era para ser ouvido por outros e não queria dar essa visibilidade aos restantes, saiba-se lá porquê.
Mas há um comportamento que se mantém uma incógnita: porque é que as pessoas se levantam, andam e gesticulam enquanto falam ao telemóvel? O mesmo não acontece quando falamos de um telefone fixo, não é? E não me parece que a forma ou o teor da conversa se altere usando um outro telefone.
Alguma ideia?
domingo, 11 de abril de 2010
Susceptível? Não leia
Nestes últimos dias fiquei com a ideia que os polacos são um povo obstinado.
É verdade que é característico dos grandes líderes liderarem pelo exemplo... mas não era preciso levarem a homenagem tão à letra...
É verdade que é característico dos grandes líderes liderarem pelo exemplo... mas não era preciso levarem a homenagem tão à letra...
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Tu não és de confiança!
Quando não há aulas e os pais têm que trabalhar e algures na sua vida viram o filme "Sozinho em casa" e, por acaso, até é sexta-feira, dá-se um sincronismo inevitável que resulta em levar o filho para o trabalho.
Foi o que aconteceu a um dos meus colegas. O filhote lá ficou calmamente a desenhar e até se estava a portar bem até que o je se lembrou de se ir meter com ele. Esfregadela na cabeleira, "Então miúdo, estás bom?", "És o Luís e tal" e ele vira-se e diz
"Tu não és de confiança!"
Do nada.
Rais'parta o puto!
"Olha lá ó pai, é isto que lhe andas a dizer de mim?" :)
E o pai lá ficou envergonhadito: "Não sei onde é que ele apanhou esta..."
É engraçado como os miúdos apanham estas coisas e conseguem sempre envergonhar os pais!
Foi o que aconteceu a um dos meus colegas. O filhote lá ficou calmamente a desenhar e até se estava a portar bem até que o je se lembrou de se ir meter com ele. Esfregadela na cabeleira, "Então miúdo, estás bom?", "És o Luís e tal" e ele vira-se e diz
"Tu não és de confiança!"
Do nada.
Rais'parta o puto!
"Olha lá ó pai, é isto que lhe andas a dizer de mim?" :)
E o pai lá ficou envergonhadito: "Não sei onde é que ele apanhou esta..."
É engraçado como os miúdos apanham estas coisas e conseguem sempre envergonhar os pais!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Expressões
Ainda não encontrei melhor maneira de dizer que uma ideia é inútil:
Esta ideia é tão boa como criar água em pó.- É só juntar água e...
Esta ideia é tão boa como criar água em pó.- É só juntar água e...
terça-feira, 6 de abril de 2010
Ó Darwin, resolve lá esta...
A maior falha da ciência ao negar Deus é afirmar "Eu não acredito que exista um Deus" porque, ao dizê-lo, está apenas a confrontar fés, aquilo em que a ciência acredita contra aquilo em que a religião acredita, ao invés de confrontar racionais, aquilo que a ciência sabe contra aquilo que a religião sabe.
Não deixa de ser curioso que a ciência nunca conseguirá ganhar este "confronto" por não estar dotada de ferramentas que expliquem o duplo infinito do início e do fim. Já à religião basta dizer que é assim... porque sim, sem mais explicações. A sua explicação passa por perguntar: que alternativa tens? E essa alternativa não existe.
Mesmo que se provasse que Jesus não existira, que os milagres são alucinações ou embustes e que o Alcorão é um romance inconsequente, se se destruíssem todas as religiões actuais, ainda assim, não se provaria a inexistência de Deus.
Então porque esta dificuldade na digestão do metafísico pela ciência? Porque, apesar de serem ambas ignorantes, só a ciência baseia a sua ignorância no conhecimento. A religião baseia a sua ignorância na fé. A fé é a base e é o fim. E o racional daí resultante é circular: acredito que Deus existe porque tenho fé. Tenho fé porque fui criado à imagem de Deus. Como explicar algo desta natureza?
É a vertente metafísica da história da primazia do ovo ou da galinha...
Não deixa de ser curioso que a ciência nunca conseguirá ganhar este "confronto" por não estar dotada de ferramentas que expliquem o duplo infinito do início e do fim. Já à religião basta dizer que é assim... porque sim, sem mais explicações. A sua explicação passa por perguntar: que alternativa tens? E essa alternativa não existe.
Mesmo que se provasse que Jesus não existira, que os milagres são alucinações ou embustes e que o Alcorão é um romance inconsequente, se se destruíssem todas as religiões actuais, ainda assim, não se provaria a inexistência de Deus.
Então porque esta dificuldade na digestão do metafísico pela ciência? Porque, apesar de serem ambas ignorantes, só a ciência baseia a sua ignorância no conhecimento. A religião baseia a sua ignorância na fé. A fé é a base e é o fim. E o racional daí resultante é circular: acredito que Deus existe porque tenho fé. Tenho fé porque fui criado à imagem de Deus. Como explicar algo desta natureza?
É a vertente metafísica da história da primazia do ovo ou da galinha...
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Sparkle

Sparkle é uma palavra versátil. É um nome e é um verbo. Enquanto verbo significa brilhar, cintilar, borbulhar. Enquanto nome significa centelha, lampejo.
Para mim, Sparkle significa génese. Não é uma tradução que se encontre num dicionário. É antes uma metáfora visual sobre o efeito de uma centelha na escuridão, algo luminoso que parece nascer do nada.
Por isso nem sequer é uma palavra para mim. Sparkle é a imagem que veste o momento antes do qual não havia nada e depois do qual tudo pode existir, mesmo o nada. O momento em que algo novo nasce. É o momento da criatividade.
E talvez mais que tudo o resto, é a criatividade o que eu realmente admiro. Há dias falei nas camadas Humanas e em como por vezes, uma camada sugere um caminho diferente. Esse caminho é fruto da criatividade e toda a nossa evolução, enquanto ser complexo, deriva dela.
Uma das fontes da minha própria criatividade blogueira, por mais inconsequente ou limitada que possa ser essa criatividade, foi uma centelha virtual que brilhava intensamente várias vezes por semana. E no meio desse fulgor desafiava-me, sem o saber, a pensar e a ver para lá do óbvio.
Infelizmente essa centelha extinguiu-se há alguns dias e eu ainda não perdi o hábito de ir procurá-la, no seu habitat.
Já não está lá.
Ficou apenas o seu rasto.
Espero que encontre o caminho de volta, um dia.
domingo, 28 de março de 2010
Fui surpreendido por uma palavra:
À primeira vista, Gelotologia poderia ser a ciência que estuda a formação de gelo ou que estuda as capotas polares ou até uma disciplina culinária que abordasse a confecção de gelados. Só que não é nada disso.
Podia também ser a ciência que estuda o Gelo, ou seja, uma ciência dedicada à minha pessoa, às minhas idiossincrasias, aos meus predicados, atitude e temperamento.
Também não tenho direito a esse momento de narcisismo, mas a coincidência gramatical dos termos não deixa de ser uma feliz coincidência!
Gelotologia é o nome dado ao estudo do humor, do riso e dos seus efeitos psicológicos e fisiológicos no corpo humano (de acordo com a Wikipédia, pelo menos).
E a contradição aparente de um Gelo gelado e de um humor quente ficam bem como um crepe de chocolate quente com uma bola de gelado de baunilha.
Reconheci-me nessa coincidência, cuja raiz etimológica desconheço mas com a qual me sinto identificado, por ter uma atitude Kaufmanesca (Andy Kaufman) perante o humor – o humor existe em tudo e em todas as situações – ou como eu gosto de dizer, a ausência de humor é, por si só, hilariante.
Porque me afirmo lato no que à abrangência humorística diz respeito, permitam-me divagar um pouco sobre a função do humor. Para que serves t’humor?
Nem todo o humor tem a gargalhada, a risada ou o sorriso como finalidade. Aliás, ainda não se sabe muito bem qual a função psicossomática do humor ou sequer o seu papel de forma objectiva e definitiva. Digo definitiva, porque vários foram os pensadores que lhe dedicaram algum tempo, desde Aristóteles a Kant. Até Freud o fez, provavelmente no intervalo de algum devaneio sexual. Contudo, nenhum chegou a uma teoria definitiva e consensual sobre a razão pela qual utilizamos o humor com tanta assuidade e em tantas circunstâncias, preferindo analisá-lo dentro das suas áreas de especialidade.
Do ponto de vista de quem o utiliza, o humor pode ter uma intenção destrutiva, achincalhadora, pertubardora, ou uma faceta insinuante, escarnecedora e maquiavélica, diametralmente oposta à intenção positiva que habitualmente lhe conferimos. Ninguém acharia graça a uma tirada inteligente se essa tirada fosse lançada por alguém que nos estivesse a perfurar um braço com uma broca de 14 milímetros. Mas se observássemos essa cena num filme, a reacção seria diferente. Para a maioria, pelo menos...
Após algum tempo a pensar neste assunto, apercebi-me de quão difícil é determinar um conceito que muda consoante o sujeito, a perspectiva, a cultura, o tipo, a função, a disposição, a causa e a consequência. O humor está de tal maneira enraízado em tudo que, para o definir, quase que teríamos que definir a estrutura do próprio universo. Não vou tentar, por isso, encontrar uma definição única e verosímel. Vou antes analisar o humor enquanto mensagem e enquadrando-o na perspectiva do emissor e do receptor dessa mensagem.
Imaginemos que vemos um filme e que um assassino está a avançar subrepticiamente até à sua vítima e esta está completamente alheia ao perigo em que se encontra. No preciso momento em que está prestes a esfaquear a vítima o assassino tropeça, cai sobre a faca e morre, sem que a pretensa vítima se aperceba e por isso segue a sua vidinha descontraída. Esta é uma situação com o potencial de provocar sorrisos amarelos, uma gargalhada ou, pelo contrário, pode fazer com que alguém vire a cara para o lado devido à violência da cena.
Imaginemos que alguém faz uma piada “de mau gosto” sobre nós e toda a gente se ri menos nós, naturalmente.
Imaginemos que fazemos um cartoon com um preservativo no nariz do Papa. Algumas pessoas acham isso hilariante, outras iniciam uma luta contra a ignomínia anti-religiosa.
Porquê este comportamento diferenciado para uma mensagem que é igual para todos? Será que a mensagem é igual para todos?
Isto acontece porque o humor não é mais do que uma forma de comunicar e a comunicação envolve sempre dois intervenientes, o emissor e o receptor que nem sempre estão na mesma “largura de banda”. A “largura de banda” é o contexto onde a mensagem se enquadra e que lhe dá matiz. Sem esse contexto, a mensagem não passaria de um conjunto de palavras ocas, sem significado, como se estivéssemos a fazer scrabble de um conjunto de letras que, juntas, têm um significado que não é maior que a soma das partes.
Imaginemos agora que eu envio uma carta à Zon a reclamar pelo péssimo serviço que me estão a prestar com a televisão por cabo, queixando-me de perda de sinal e de tempo de espera inadequado na linha telefónica para assistência. Quem for ler a carta, mesmo não sabendo se estou a ser sincero ou não, ou não sabendo que razões efectivas dão lugar à minha insatisfação, está inteirada do contexto da mensagem. Percebe que sou cliente, que estou insatisfeito e porque motivos. Depois, pode pegar na carta e deitá-la no lixo, mas a mensagem surtiu efeito no que diz respeito ao entendimento que se fez das palavras.
O pormenor que torna a comunicação por via do humor tão complicada resulta de existirem não um mas dois contextos e frequentemente serem diferentes. O receptor e o emissor têm, cada um, um contexto que passa pelo seu nível cultural, pela sua idade, pela sua nacionalidade, pelo seu grupo de influência e pela forma como se relaciona com esse grupo... entre dezenas de outros factores! É por esse motivo que a mensagem que o receptor envia, por vezes chega deturpada no receptor, sem que o seu conteúdo tenha sido realmente alterado. A diferença encontra-se no contexto do receptor, que produz uma interpretação da mensagem diferente da que pretendia o emissor. Funciona um pouco à imagem do jogo do telefone, em que se vai dizendo ao ouvido da pessoa ao nosso lado uma determinada palavra, que vai sendo repetida de pessoa para pessoa e quando o último elo da cadeia a tiver que repetir diz algo completamente diferente. Só que aqui não é o som que é distorcido, é a intenção percebida ou até a incompreensão total da mensagem, por falta de contexto. Um bom exemplo do que escrevo é o sketch dos Monty Python sobre a piada mais engraçada do mundo, que acabou com a 2ª guerra mundial e que fazia com que qualquer um que a lesse ou ouvisse morresse instantaneamente (para quem não sabe do que estou a falar). A piada não funcionaria em inglês mas quando a traduziram para alemão... foi uma espécie de blitzkrieg.
É por causa destes contextos diferenciados que o humor é uma coisa difícil de se fazer, mas é por isso também que nós acabamos por admirar quem o faz bem feito... even when the joke is on you.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Cloud Computing
"O Homem é maior por dentro que por fora, é imenso dentro de si. É avassalador na sua vontade e na criação. Somos o resultado do acumular de muitos Homens e contribuímos adicionando a nossa camada à Humanidade, mesmo que seja apenas uma das camadas que dizem ao Homem "não vás por aí!". Na verdade, imagino serem estas a esmagadora maioria das camadas que compõem a Humanidade e só de vez em quando aparece uma que aponta um caminho diferente, um caminho válido."
***
Um dia um homem olhou para o céu e viu um cavalo branco a voar. Intrigado, continuou a olhar e observou o cavalo desvanecer lentamente, perdendo substância e forma... mas, por alguns segundos, um cavalo voou sob a forma de uma nuvem. Bom, para além da dissertação sob se o cavalo que voava no céu apenas voou no cérebro do homem, ou se de facto a nuvem de forma equestre que se formou e se evaporou de seguida se pode dissociar da imaginação humana o suficiente para afirmar "um cavalo voou", o que ficou retido nos neurónios do homem que placidamente olhava para o céu foi que um cavalo pode voar.
Se este homem tivesse vivido mais uns séculos, poderia ter visto cavalos verdadeiros voar no céu, poderia ter voado com eles, poderia ter visto como o Homem converte a imaginação em realidade.
Hoje em dia, só enquanto crianças olhamos para o céu à procura das mesmas formas, dos cavalos, dos barcos, das casas voadoras que desfilam sempre que o céu se encontra polvilhado de pequenas nuvens, porque esse céu já foi conquistado. Mas a imaginação continua cá, é instintiva e damos por nós a olhar para as coisas com o nosso segundo olhar, o da imaginação, aquele que corta barreiras e atravessa a membrana da realidade para o universo paralelo das possibilidades infinitas.
Assim transformamos o mundo. Assim transformamos a percepção que temos da realidade. Assim reinventamos o Homem.
E tudo começou porque alguém, algures, olhou para o céu.

Não é uma nuvem mas a mim parece-me o mickey :)
***
Um dia um homem olhou para o céu e viu um cavalo branco a voar. Intrigado, continuou a olhar e observou o cavalo desvanecer lentamente, perdendo substância e forma... mas, por alguns segundos, um cavalo voou sob a forma de uma nuvem. Bom, para além da dissertação sob se o cavalo que voava no céu apenas voou no cérebro do homem, ou se de facto a nuvem de forma equestre que se formou e se evaporou de seguida se pode dissociar da imaginação humana o suficiente para afirmar "um cavalo voou", o que ficou retido nos neurónios do homem que placidamente olhava para o céu foi que um cavalo pode voar.
Se este homem tivesse vivido mais uns séculos, poderia ter visto cavalos verdadeiros voar no céu, poderia ter voado com eles, poderia ter visto como o Homem converte a imaginação em realidade.
Hoje em dia, só enquanto crianças olhamos para o céu à procura das mesmas formas, dos cavalos, dos barcos, das casas voadoras que desfilam sempre que o céu se encontra polvilhado de pequenas nuvens, porque esse céu já foi conquistado. Mas a imaginação continua cá, é instintiva e damos por nós a olhar para as coisas com o nosso segundo olhar, o da imaginação, aquele que corta barreiras e atravessa a membrana da realidade para o universo paralelo das possibilidades infinitas.
Assim transformamos o mundo. Assim transformamos a percepção que temos da realidade. Assim reinventamos o Homem.
E tudo começou porque alguém, algures, olhou para o céu.

Não é uma nuvem mas a mim parece-me o mickey :)
quinta-feira, 18 de março de 2010
Notícia do dia
"Polícia Judiciária faz buscas a si própria"
Ainda que seja meritório que a polícia possua controlos internos e que consiga investigar a sua própria actividade e as suas próprias falhas, não pude deixar de imaginar o cão que corre incessantemente atrás da própria cauda...
in
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/pj-buscas-armando-vara-banif-angola-agencia-financeira/1148293-1730.html
Ainda que seja meritório que a polícia possua controlos internos e que consiga investigar a sua própria actividade e as suas próprias falhas, não pude deixar de imaginar o cão que corre incessantemente atrás da própria cauda...
in
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/pj-buscas-armando-vara-banif-angola-agencia-financeira/1148293-1730.html
quarta-feira, 17 de março de 2010
Serviços Inovadores
in http://www.agenciafinanceira.iol.pt
"É um serviço no mínimo inovador. A cadeia internacional Holiday Inn está a oferecer «aquecedores humanos» em três dos seus hotéis no Reino Unido.
O que acontece, na prática, é que, a pedido do cliente, um elemento do staff do hotel deita-se na cama e assim, quando o cliente chegar, terá os lençóis já aquecidos.
Para este trabalho, o funcionário do hotel tem de vestir um fato, que o cobre dos pés à cabeça, antes de se deitar. Nesse fato existe um termómetro que mede a temperatura da cama. O objectivo é que atingir os 20 graus Célsius.
O hotel não garante que o funcionário toma um duche antes de se deitar na cama, mas garante que o fato tapa todo o corpo e que o trabalhador do hotel abandona o quarto antes do cliente chegar.
«Este novo serviço do Holiday Inn de aquecedores de cama humanos é um pouco como ter uma gigante botija de água quente na sua cama», disse o porta-voz da cadeia, Jane Bednall, à Reuters.
Por agora, só dois hotéis desta cadeia em Londres e um em Manchester garantem este tipo de aquecedores aos seus clientes. "
Deixo os comentários ao vosso critério
:)
"É um serviço no mínimo inovador. A cadeia internacional Holiday Inn está a oferecer «aquecedores humanos» em três dos seus hotéis no Reino Unido.
O que acontece, na prática, é que, a pedido do cliente, um elemento do staff do hotel deita-se na cama e assim, quando o cliente chegar, terá os lençóis já aquecidos.
Para este trabalho, o funcionário do hotel tem de vestir um fato, que o cobre dos pés à cabeça, antes de se deitar. Nesse fato existe um termómetro que mede a temperatura da cama. O objectivo é que atingir os 20 graus Célsius.
O hotel não garante que o funcionário toma um duche antes de se deitar na cama, mas garante que o fato tapa todo o corpo e que o trabalhador do hotel abandona o quarto antes do cliente chegar.
«Este novo serviço do Holiday Inn de aquecedores de cama humanos é um pouco como ter uma gigante botija de água quente na sua cama», disse o porta-voz da cadeia, Jane Bednall, à Reuters.
Por agora, só dois hotéis desta cadeia em Londres e um em Manchester garantem este tipo de aquecedores aos seus clientes. "
Deixo os comentários ao vosso critério
:)
A quarta idade
Cada vez mais a nossa sociedade se orienta para uma separação etária em que a terceira idade se segmenta em duas: a terceira e a quarta, sendo que a quarta passará a ser a actual terceira e a "nova" terceira passará a caracterizar as pessoas de mais idade que se mantém activas ou que se têm que manter activas por razões económicas.
Uma das discussões actuais em Portugal gravita à volta do aumento da idade da reforma, ou seja, fazendo com que as pessoas trabalhem mais tempo. Sem pensar muito no assunto parece-me que esta medida é uma forma estúpida de resolver o problema da segurança social, ou melhor, de adiar a resolução desse problema.
De qualquer modo, como em tudo na vida, para cada lágrima há uma risada e, por isso, deixo aqui a risada (desconheço a autoria, mas não é minha):
APOSENTAÇÃO
Novas Regras - Limite de idade (70 anos)
Adequação dos Organismos ao limite de idade para aposentação:
Tendo em vista a nova idade mínima para aposentação, sugerimos que sejam tomadas algumas providências para sobrevivência de toda e qualquer empresa:
1. Transformação das escadas existentes em rampas com corrimão não escorregadio;
2. Colocação de suporte para apoio nas casas de banho após a ampliação para possíveis cadeiras de rodas;
3. Substituição de todo o sistema de telefones, por aparelhos mais modernos que possibilitem que a perda de audição provocada pela idade avançada, seja compensada com o aumento de volume amplificado;
4. Aumento de tamanho de todas as fontes de impressão dos documentos emitidos a partir desta data, possibilitando a leitura em futuro próximo;
5. Compra de lentes de aumento para distribuição aos funcionários;
6. Aumento de tamanho dos monitores de computador para 27 polegadas ;
7. Implementação dos seguintes tipos de falta não descontada:
Ø Esquecimento do local de trabalho;
Ø Esquecimento de como se faz o trabalho;
Ø Falta de ar;
Ø Incontinência urinária;
Ø Dor nas costas;
Ø Comparência em funeral de colegas que estavam prestes a aposentar-se.
8. Implementação de porta bengalas em todas as mesas de trabalho;
9. Despertador individual para casos de sono diurno;
10. Aumento das letras de todos os computadores;
11. Instalação de uma UTI Geriátrica de última geração;
12. Aumento do 'time-out' para o encerramento das portas dos elevadores, tendo em vista a agilidade de locomoção dos funcionários ainda existentes;
13. Aquisição de armários para fraldas e remédios para uso dos funcionários;
14. Proibição de qualquer actividade ou vestuário dos funcionários mais novos que possa provocar ataque cardíaco ou desregulamento do pacemaker do colega, próximo da idade mínima em questão;
15. Criação de exercícios físicos voltados para a terceira e quarta idade;
16. Revisão da avaliação de desempenho do funcionário, incluindo o item 'Lembrança da Senha', sendo que o funcionário, prestes a aposentar-se nos termos da lei, que ainda se lembre da sua senha, tenha a nota máxima neste item;
17. Alteração nas instruções de pedido de aposentação: Incluir minuta da Certidão de Óbito.
Uma das discussões actuais em Portugal gravita à volta do aumento da idade da reforma, ou seja, fazendo com que as pessoas trabalhem mais tempo. Sem pensar muito no assunto parece-me que esta medida é uma forma estúpida de resolver o problema da segurança social, ou melhor, de adiar a resolução desse problema.
De qualquer modo, como em tudo na vida, para cada lágrima há uma risada e, por isso, deixo aqui a risada (desconheço a autoria, mas não é minha):
APOSENTAÇÃO
Novas Regras - Limite de idade (70 anos)
Adequação dos Organismos ao limite de idade para aposentação:
Tendo em vista a nova idade mínima para aposentação, sugerimos que sejam tomadas algumas providências para sobrevivência de toda e qualquer empresa:
1. Transformação das escadas existentes em rampas com corrimão não escorregadio;
2. Colocação de suporte para apoio nas casas de banho após a ampliação para possíveis cadeiras de rodas;
3. Substituição de todo o sistema de telefones, por aparelhos mais modernos que possibilitem que a perda de audição provocada pela idade avançada, seja compensada com o aumento de volume amplificado;
4. Aumento de tamanho de todas as fontes de impressão dos documentos emitidos a partir desta data, possibilitando a leitura em futuro próximo;
5. Compra de lentes de aumento para distribuição aos funcionários;
6. Aumento de tamanho dos monitores de computador para 27 polegadas ;
7. Implementação dos seguintes tipos de falta não descontada:
Ø Esquecimento do local de trabalho;
Ø Esquecimento de como se faz o trabalho;
Ø Falta de ar;
Ø Incontinência urinária;
Ø Dor nas costas;
Ø Comparência em funeral de colegas que estavam prestes a aposentar-se.
8. Implementação de porta bengalas em todas as mesas de trabalho;
9. Despertador individual para casos de sono diurno;
10. Aumento das letras de todos os computadores;
11. Instalação de uma UTI Geriátrica de última geração;
12. Aumento do 'time-out' para o encerramento das portas dos elevadores, tendo em vista a agilidade de locomoção dos funcionários ainda existentes;
13. Aquisição de armários para fraldas e remédios para uso dos funcionários;
14. Proibição de qualquer actividade ou vestuário dos funcionários mais novos que possa provocar ataque cardíaco ou desregulamento do pacemaker do colega, próximo da idade mínima em questão;
15. Criação de exercícios físicos voltados para a terceira e quarta idade;
16. Revisão da avaliação de desempenho do funcionário, incluindo o item 'Lembrança da Senha', sendo que o funcionário, prestes a aposentar-se nos termos da lei, que ainda se lembre da sua senha, tenha a nota máxima neste item;
17. Alteração nas instruções de pedido de aposentação: Incluir minuta da Certidão de Óbito.
domingo, 7 de março de 2010
A partilha
A partilha é uma necessidade humana. Dizemo-nos animais sociáveis, quiçá indissociáveis da pertença a um grupo mesmo que alguns o contestem e se isolem, mas essa sociabilidade assume diversas facetas consoante as necessidades de cada um.
Isolei seis tipos de comportamentos no que diz respeito à partilha e, como de costume, satirizo-os para os conseguir partilhar convosco :)
1) Os avarentos - não partilham nada. Tudo não é demais. Normalmente não se dão a conhecer a ninguém. Estas pessoas são uma espécie de buraco negro, sorvem tudo o que conseguirem com medo que lhes faça falta em algum momento. Por isso mesmo acabam por ser bons ouvintes, desde que não se espere nenhum conselho ou palavra de conforto, que a não saberiam dar. A palavra partilha só lhes aparece à frente uma vez na vida - quando morrem... e o Estado vai buscar tudo aquilo que guardaram.
2) Os desgraçadinhos - apenas partilham as coisas más e guardam as boas para eles. É alguém que te deixa sempre com o coração apertado enquanto estás com eles, ou de uma forma mais brejeira, seriam estes os tipos que, se nascessem de cú virado para a lua, não a chegariam a ver, por razões que agora não quero aprofundar :). São pessoas sofridas, normalmente vão piorando com a idade e até podem ter razões muito válidas para a sua forma de ser. Contudo, tal é o hábito e a necessidade de serem os mais desgraçadinhos que acabam por ganhar o gosto a esse discurso. Curiosamente, mesmo que não sejam uns desgraçadinhos aos vossos olhos, acreditem que o são! É o mesmo processo da repetição de uma mentira - de tanto o forçarem acabam por vivenciá-lo. A característica principal é muito fácil de detectar. Há duas maneiras de o fazer. A primeira acontece quando se está a falar de uma situação, seja ela qual for, mas funciona especialmente bem se for triste. Observem bem a atitude da peça enquanto contam a história: de repente, os cantos dos lábios descaiem como se a gravidade se abatesse apenas sobre aquela ínfima parte da boca, a cabeça move-se um pouco para a frente e para baixo, como se suplicassem à inquisição por um copo de água antes de arder na fogueira, os dedos das mãos entrelaçam-se uns nos outros, enclavinhando-se como se se estrangulassem mutuamente e os olhos escondem-se, semicerrados, encarcerados nas rugas que entretanto se formaram nas suas extremidades, sublinhadas pelo franzir das sobrancelhas e da testa. A pessoa parece que diminuiu... até ao momento em que te interrompe e diz: "pois comigo, é muito pior..." e aí, cresce, cresce, cresce, e nós diminuímos, diminuímos... e se pudéssemos desaparecíamos. A segunda, acontece na mesma altura, mas aqui, o nosso interlocutor tem algo de muito importante para dizer, algo que vai tornar a situação que se relata tão pequenina, tão mesquinha em face àquela que ele conhece, que ele mal aguenta de excitação e assim que paras para respirar... já foste, porque aquele segundo foi o tempo suficiente para encaixar o tradicional "pois comigo, é muitíssimo pior!" Os traços físicos aqui são semelhantes aos de cima e tirando a pontinha de baba que às vezes dá o ar da sua graça, a única diferença encontra-se nos olhos que, ao invés de semicerrarem estão abertos e quase pulam das órbitas tal o entusiasmo, a muito esforço contido, todinho concentrado nos vasos sanguíneos que ligam as órbitras ao cérebro. Porquê aí?! Porque ele está MESMO a ver, MESMO MESMO a ver que a história dele vai suplantar esta no desgraçómetro oficial. Se virem alguém neste estado nunca lhe virem as costas. Pode morder.
3) Os paternais - Estes são os compreensivos. Não julgam ou aparentam não julgar porque sentem que isso lhes dá um certo ar de superioridade sobre os outros. Não julgando, são bons ouvintes e tentam ajudar os outros de forma bem-intencionada, desconhecendo se o que dizem tem de facto alguma razão de ser ou se é apenas um saco cheio de nada. Por norma são pessoas que não conseguem enfrentar elas próprias as situações e as confusões que observam nos outros e por isso evitam-nas virando-lhe as costas. Mas quando se trata dos outros a história muda de figura e lá estão eles, qual cavaleiros andantes, a aconselhar as donzelas em perigo. Porque são incapazes de enfrentar as situações são os primeiros a partilhar com os outros aquilo que pensam e aquilo que pensam sentir, porque é a maneira que encontram de obter uma validação empírica para o que poderia ter acontecido se tivessem dado o passo em frente. No prática, também estes utilizam os outros como objectos de teste, mas não o fazem de forma maldosa, apenas como expressão da sua cobardia.
4) Os esfíngicos - estes não têm sentimentos próprios ou se os têm não lhes dão importância, mas estão sempre disponíveis para ouvir os outros porque isso de ter sentimentos deve ser importante e desperta-lhes a curiosidade natural de quem está a estudar um fenómeno estranho e rico. Como objecto de estudo, os sentimentos são algo que tem características, propriedades e métodos. Também devem ter uma função mas essa escapa-lhes, talvez porque os sentimentos são ambíguos e idiomáticos, expressões que contextualmente adquirem propriedades diferentes tornando o modelo demasiado complexo para se apreender sem recorrer ao estudo continuado. Naturalmente um estudo dessa natureza não é possível porque não é razoável colocar as pessoas dentro de redomas para analisar comportamentos, nem há garantias que os comportamentos se manteriam dentro da redoma ainda que tal fosse possível. Assim, não fazem mais do que ouvir sem compreender, porque não conhecem um modelo com o qual possam comparar esta nova realidade. Por isso, os esfíngicos partilham o espaço e a forma mas não o conteúdo. Como partilhar o que se não tem?
5)Os emocionais - partilham os aspectos bons e maus da sua vida. Para estes tudo faz parte da experiência a que se chama viver. São uma espécie de hippies auto-controlados porque tudo é possível até que alguma coisa não o seja. Normalmente nunca se sabe muito bem onde é que está a barreira - é volúvel e hoje é assim, amanhã é de outra maneira e depois de amanhã sabe Deus. A grande vantagem para quem dialoga com estas pessoas é que da mesma forma que a barreira do admissível se move também a memória se adapta e por isso, o que ontem estava mal hoje está na maior... e assim se evitam rancores e conflitos. Ontem?! O que é isso? Claro que esta situação também é desgastante para os outros - é como viver numa caravana e andar sempre em movimento e dormir em parques de estacionamento diferentes. Tentem fazer estas pessoas seguir um plano e preparem-se para umas úlceras nervosas no estômago... ou nos arredores do estômago, que isto da variabilidade toca em tudo.
6)Os Espalhafatosos - partilham excessivamente todos os aspectos da sua vida. Precisam de se sentir o centro do mundo e a explosão de emoções que sentem e não conseguem dominar sobrepõe-se a qualquer outra forma de comunicação. São demasiado expressivos, demasiado interventivos e demasiado ansiosos. Não chegam a interromper conversas porque não concebem uma conversa que não seja começada ou terminada por eles, pontuada com uma gargalhada cavernosa ou uma lágrima cristalina. Sim, é verdade. Se essa pessoa estiver calada a olhar para ti enquanto falas, não te está a ouvir. Está à espera da oportunidade de pegar numa palavra tua e explicar porque é que é assim ou de outra maneira. Nem sempre os temas coincidem. Por norma as conversas acabam como começam: "Estou-te a dizer que foi uma galhofa" (gargalhada e braços a gesticular ou movimentos bruscos na cadeira, se sentado). Se entretanto não tiver entornado o copo de vinho branco da senhora ao lado, vai pelo menos tirar-lhe o prazer de o beber, dado que logo de seguida diz "só foi pena que tenha acabado assim coitadinho, só sobraram as pernas, uma delas na valeta... e a outra a uns cem metros em cima da azinheira...(cara de enterro)" e a pedra de toque, antes que alguém diga alguma coisa, "razão tinha eu para dizer que o projecto não tinha pernas para andar HAHAHAHAHAHAH". E se o vinho branco ainda estivesse no copo era agora que desaparecia... com um penalty.
Isolei seis tipos de comportamentos no que diz respeito à partilha e, como de costume, satirizo-os para os conseguir partilhar convosco :)
1) Os avarentos - não partilham nada. Tudo não é demais. Normalmente não se dão a conhecer a ninguém. Estas pessoas são uma espécie de buraco negro, sorvem tudo o que conseguirem com medo que lhes faça falta em algum momento. Por isso mesmo acabam por ser bons ouvintes, desde que não se espere nenhum conselho ou palavra de conforto, que a não saberiam dar. A palavra partilha só lhes aparece à frente uma vez na vida - quando morrem... e o Estado vai buscar tudo aquilo que guardaram.
2) Os desgraçadinhos - apenas partilham as coisas más e guardam as boas para eles. É alguém que te deixa sempre com o coração apertado enquanto estás com eles, ou de uma forma mais brejeira, seriam estes os tipos que, se nascessem de cú virado para a lua, não a chegariam a ver, por razões que agora não quero aprofundar :). São pessoas sofridas, normalmente vão piorando com a idade e até podem ter razões muito válidas para a sua forma de ser. Contudo, tal é o hábito e a necessidade de serem os mais desgraçadinhos que acabam por ganhar o gosto a esse discurso. Curiosamente, mesmo que não sejam uns desgraçadinhos aos vossos olhos, acreditem que o são! É o mesmo processo da repetição de uma mentira - de tanto o forçarem acabam por vivenciá-lo. A característica principal é muito fácil de detectar. Há duas maneiras de o fazer. A primeira acontece quando se está a falar de uma situação, seja ela qual for, mas funciona especialmente bem se for triste. Observem bem a atitude da peça enquanto contam a história: de repente, os cantos dos lábios descaiem como se a gravidade se abatesse apenas sobre aquela ínfima parte da boca, a cabeça move-se um pouco para a frente e para baixo, como se suplicassem à inquisição por um copo de água antes de arder na fogueira, os dedos das mãos entrelaçam-se uns nos outros, enclavinhando-se como se se estrangulassem mutuamente e os olhos escondem-se, semicerrados, encarcerados nas rugas que entretanto se formaram nas suas extremidades, sublinhadas pelo franzir das sobrancelhas e da testa. A pessoa parece que diminuiu... até ao momento em que te interrompe e diz: "pois comigo, é muito pior..." e aí, cresce, cresce, cresce, e nós diminuímos, diminuímos... e se pudéssemos desaparecíamos. A segunda, acontece na mesma altura, mas aqui, o nosso interlocutor tem algo de muito importante para dizer, algo que vai tornar a situação que se relata tão pequenina, tão mesquinha em face àquela que ele conhece, que ele mal aguenta de excitação e assim que paras para respirar... já foste, porque aquele segundo foi o tempo suficiente para encaixar o tradicional "pois comigo, é muitíssimo pior!" Os traços físicos aqui são semelhantes aos de cima e tirando a pontinha de baba que às vezes dá o ar da sua graça, a única diferença encontra-se nos olhos que, ao invés de semicerrarem estão abertos e quase pulam das órbitas tal o entusiasmo, a muito esforço contido, todinho concentrado nos vasos sanguíneos que ligam as órbitras ao cérebro. Porquê aí?! Porque ele está MESMO a ver, MESMO MESMO a ver que a história dele vai suplantar esta no desgraçómetro oficial. Se virem alguém neste estado nunca lhe virem as costas. Pode morder.
3) Os paternais - Estes são os compreensivos. Não julgam ou aparentam não julgar porque sentem que isso lhes dá um certo ar de superioridade sobre os outros. Não julgando, são bons ouvintes e tentam ajudar os outros de forma bem-intencionada, desconhecendo se o que dizem tem de facto alguma razão de ser ou se é apenas um saco cheio de nada. Por norma são pessoas que não conseguem enfrentar elas próprias as situações e as confusões que observam nos outros e por isso evitam-nas virando-lhe as costas. Mas quando se trata dos outros a história muda de figura e lá estão eles, qual cavaleiros andantes, a aconselhar as donzelas em perigo. Porque são incapazes de enfrentar as situações são os primeiros a partilhar com os outros aquilo que pensam e aquilo que pensam sentir, porque é a maneira que encontram de obter uma validação empírica para o que poderia ter acontecido se tivessem dado o passo em frente. No prática, também estes utilizam os outros como objectos de teste, mas não o fazem de forma maldosa, apenas como expressão da sua cobardia.
4) Os esfíngicos - estes não têm sentimentos próprios ou se os têm não lhes dão importância, mas estão sempre disponíveis para ouvir os outros porque isso de ter sentimentos deve ser importante e desperta-lhes a curiosidade natural de quem está a estudar um fenómeno estranho e rico. Como objecto de estudo, os sentimentos são algo que tem características, propriedades e métodos. Também devem ter uma função mas essa escapa-lhes, talvez porque os sentimentos são ambíguos e idiomáticos, expressões que contextualmente adquirem propriedades diferentes tornando o modelo demasiado complexo para se apreender sem recorrer ao estudo continuado. Naturalmente um estudo dessa natureza não é possível porque não é razoável colocar as pessoas dentro de redomas para analisar comportamentos, nem há garantias que os comportamentos se manteriam dentro da redoma ainda que tal fosse possível. Assim, não fazem mais do que ouvir sem compreender, porque não conhecem um modelo com o qual possam comparar esta nova realidade. Por isso, os esfíngicos partilham o espaço e a forma mas não o conteúdo. Como partilhar o que se não tem?
5)Os emocionais - partilham os aspectos bons e maus da sua vida. Para estes tudo faz parte da experiência a que se chama viver. São uma espécie de hippies auto-controlados porque tudo é possível até que alguma coisa não o seja. Normalmente nunca se sabe muito bem onde é que está a barreira - é volúvel e hoje é assim, amanhã é de outra maneira e depois de amanhã sabe Deus. A grande vantagem para quem dialoga com estas pessoas é que da mesma forma que a barreira do admissível se move também a memória se adapta e por isso, o que ontem estava mal hoje está na maior... e assim se evitam rancores e conflitos. Ontem?! O que é isso? Claro que esta situação também é desgastante para os outros - é como viver numa caravana e andar sempre em movimento e dormir em parques de estacionamento diferentes. Tentem fazer estas pessoas seguir um plano e preparem-se para umas úlceras nervosas no estômago... ou nos arredores do estômago, que isto da variabilidade toca em tudo.
6)Os Espalhafatosos - partilham excessivamente todos os aspectos da sua vida. Precisam de se sentir o centro do mundo e a explosão de emoções que sentem e não conseguem dominar sobrepõe-se a qualquer outra forma de comunicação. São demasiado expressivos, demasiado interventivos e demasiado ansiosos. Não chegam a interromper conversas porque não concebem uma conversa que não seja começada ou terminada por eles, pontuada com uma gargalhada cavernosa ou uma lágrima cristalina. Sim, é verdade. Se essa pessoa estiver calada a olhar para ti enquanto falas, não te está a ouvir. Está à espera da oportunidade de pegar numa palavra tua e explicar porque é que é assim ou de outra maneira. Nem sempre os temas coincidem. Por norma as conversas acabam como começam: "Estou-te a dizer que foi uma galhofa" (gargalhada e braços a gesticular ou movimentos bruscos na cadeira, se sentado). Se entretanto não tiver entornado o copo de vinho branco da senhora ao lado, vai pelo menos tirar-lhe o prazer de o beber, dado que logo de seguida diz "só foi pena que tenha acabado assim coitadinho, só sobraram as pernas, uma delas na valeta... e a outra a uns cem metros em cima da azinheira...(cara de enterro)" e a pedra de toque, antes que alguém diga alguma coisa, "razão tinha eu para dizer que o projecto não tinha pernas para andar HAHAHAHAHAHAH". E se o vinho branco ainda estivesse no copo era agora que desaparecia... com um penalty.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
CP encripta anúncios
Vila Nova de Gaia. 15:02. Estação de comboios.
Um comboio está prestes a chegar.
Ouve-se o som característico nos altifalantes (screeeech dondindondim) da estação que indica que se vai iniciar uma comunicação importante e urgente: o próximo comboio está a chegar. Qual será o comboio? O nosso coração pausa por um segundo na expectativa de que seja o nosso, ainda que saibamos que não pode ser, que ainda faltam muitos minutos... mas será que nos distraímos? O coração não sabe e o cérebro é menos rápido que o coração.
E eis que o anúncio é lido pela professora do Charlie Brown: "ULBRNEROUISNUISOSNSIDONSONSDIOIOASONADOASDIOUEWORRIPOXSÃOBENTO"
Como?!
Diga lá isso de novo?
"ULBRNEROUISNUISOSNSIDONSONSDIOIOASONADOASDIOUEWORRIPOXSÃOBENTO"
Mas que raio?!
Será que a paranóia da encriptação de mensagens já chegou à CP e aos anúncios de chegadas de comboios?!
Um comboio está prestes a chegar.
Ouve-se o som característico nos altifalantes (screeeech dondindondim) da estação que indica que se vai iniciar uma comunicação importante e urgente: o próximo comboio está a chegar. Qual será o comboio? O nosso coração pausa por um segundo na expectativa de que seja o nosso, ainda que saibamos que não pode ser, que ainda faltam muitos minutos... mas será que nos distraímos? O coração não sabe e o cérebro é menos rápido que o coração.
E eis que o anúncio é lido pela professora do Charlie Brown: "ULBRNEROUISNUISOSNSIDONSONSDIOIOASONADOASDIOUEWORRIPOXSÃOBENTO"
Como?!
Diga lá isso de novo?
"ULBRNEROUISNUISOSNSIDONSONSDIOIOASONADOASDIOUEWORRIPOXSÃOBENTO"
Mas que raio?!
Será que a paranóia da encriptação de mensagens já chegou à CP e aos anúncios de chegadas de comboios?!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Globalização
Desde os tempos de Faculdade que ouço falar na globalização. Na altura era o "Hype", "the next big thing", a próxima tendência para as empresas portuguesas, que para as outras o tema já sabia a requentado.
Entretanto acabei por vir trabalhar para uma dessas empresas globais e foi com algum prazer que ano após ano chego à conclusão que os portugueses têm algumas características interessantes e de alguma forma distintivas neste mercado global. Uma delas, a capacidade de falar vários idiomas com facilidade.
E não menos interessante é estar englobado num grupo heterogéneo e perceber a maioria das conversas paralelas que vão decorrendo ao longo dos almoços ou das reuniões ou dos "get-together" que se organizam depois do trabalho/formação - uma coisa que, por norma, só nós conseguimos fazer.
Pois desta vez, aconteceu-me o contrário. Em Reading (UK) estive em amena cavaqueira com alguns dos meus colegas de formação, provenientes de clientes, naturalmente em inglês, enquanto a formação não começava (aqui, uma nota: talvez para evitar problemas com os alunos latinos, o primeiro dia de formação tem previsto o começo apenas às 9:30 mas ninguém o sabe :)... nos documentos de inscrição o horário de começo é às 8:30):
- de onde és, sou daqui, demorei tanto tempo, estou hospedado ali, faço isto, e tal... e estivemos nisto uma horita enquanto o formador não chegava. Entretanto estive na sessão, almoçámos e, no final do almoço uma das formandas vira-se para mim e fala-me em português! Afinal é filha de portugueses.
Nota número um: é preciso ter cuidado com as conversas que se tem, inclusivé ao telefone, porque alguém pode perceber o que dizemos.
Nota número dois: sendo portugueses, devemos ter esse cuidado redobrado porque há sempre um português em qualquer lado :)
Entretanto acabei por vir trabalhar para uma dessas empresas globais e foi com algum prazer que ano após ano chego à conclusão que os portugueses têm algumas características interessantes e de alguma forma distintivas neste mercado global. Uma delas, a capacidade de falar vários idiomas com facilidade.
E não menos interessante é estar englobado num grupo heterogéneo e perceber a maioria das conversas paralelas que vão decorrendo ao longo dos almoços ou das reuniões ou dos "get-together" que se organizam depois do trabalho/formação - uma coisa que, por norma, só nós conseguimos fazer.
Pois desta vez, aconteceu-me o contrário. Em Reading (UK) estive em amena cavaqueira com alguns dos meus colegas de formação, provenientes de clientes, naturalmente em inglês, enquanto a formação não começava (aqui, uma nota: talvez para evitar problemas com os alunos latinos, o primeiro dia de formação tem previsto o começo apenas às 9:30 mas ninguém o sabe :)... nos documentos de inscrição o horário de começo é às 8:30):
- de onde és, sou daqui, demorei tanto tempo, estou hospedado ali, faço isto, e tal... e estivemos nisto uma horita enquanto o formador não chegava. Entretanto estive na sessão, almoçámos e, no final do almoço uma das formandas vira-se para mim e fala-me em português! Afinal é filha de portugueses.
Nota número um: é preciso ter cuidado com as conversas que se tem, inclusivé ao telefone, porque alguém pode perceber o que dizemos.
Nota número dois: sendo portugueses, devemos ter esse cuidado redobrado porque há sempre um português em qualquer lado :)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Flocos de gelo
Acabo de ser promovido a tio!
Nasceu um floco de gelo com 3 quilos e tal.
No mundo virtual será a anGELA.
Façamos todos como a foca! clap,clap,clap
:)
Nasceu um floco de gelo com 3 quilos e tal.
No mundo virtual será a anGELA.
Façamos todos como a foca! clap,clap,clap
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