domingo, 21 de abril de 2013

Os erros de excel


Diz-se por aí, que o nosso ministro das Finanças governa com um ficheiro de excel. A poção mágica é uma espécie de sopa da pedra; coloca lá uns números simpáticos, lança umas fórmulas janotas, faz umas simulações académicas e aparece-lhe a solução mágica na primeira página. Mas este ministro, de fraco palato, faz uma sopa da pedra só com pedras e deixa as couves e o fio de azeite para a Troika. Daí a nossa indigestão colectiva.

Mesmo quando o presidente do Eurogrupo lhe dá “um sinal de compra”, dizendo que Portugal vai beneficiar de mais tempo, Vítor Gaspar sente-se na obrigação de o desmentir e de o colocar no seu lugar. Ora essa! Onde já se viu, vir um tipo de fora dar esperança aos portugueses, quando ele próprio não a consegue dar. Ó senhores da Troika, guardem lá as couves e o toucinho para vocês, que nós mastigamos o granito e, à falta de ossos, chupamos o xisto!

Entretanto veio a saber-se que um dos testamentos que compõem a Bíblia da austeridade baseou parte das suas conclusões num ficheiro de excel com erros de cálculo. Aleluia, suspiram uns aliviados. Heresia! – gritam os neoliberais, ainda mal refeitos da morte da sua progenitora idolatrada, a estimada Margaret Thatcher.

Mas nem Gaspar nem Coelho se intimidam e arrepiam caminho que em frente é que é a austeridade! O excel até pode ter erros, mas o maior erro é parar agora de escavar. Com alguma sorte ainda encontramos petróleo! Fonte muito próxima do Governo confidenciou-me alguns segredos da remodelação. 
Deixo-vos um excerto de uma conversa de Gaspar e Coelho: 

- Olha lá Coelho,  já que queremos aumentar a produtividade e a eficiência, o que achas de juntarmos esforços e matarmos dois coelhos com uma cajadada?!
- Livra! - pensa Coelho. A que te referes?
- Podíamos utilizar o Excel para fazer uma remodelação governamental.
- Achas que sim? - pergunta Coelho. Faz lá um teste para o secretário de estado da Defesa.
- O excel diz que é... Berta Cabral.
- Olha que bela ideia! Aquela senhora dos Açores que perdeu por causa da porcaria que andamos a fazer no Governo.
- Mas... ó Coelho, o que é que ela percebe de defesa?
- O mesmo que nós percebemos de finanças, Gaspar...

Ah... agora já percebo!


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Humor patológico




Portugal é um país com cerca de dez milhões de patos. Talvez um pouco menos, dado o intenso fluxo migratório que se tem verificado e que tem sido estimulado pelo líder do bando. Ainda assim, o suficiente para afiar os dentes a qualquer proprietário de restaurante chinês.

Escusam de fazer esse esgar de desdém ou de montar o sorriso de escárnio. Estou a falar a sério. Somos um país de patos e somos patos numa plenitude inigualável. Não é verdade que somos desenrascados? Que conseguimos fazer um pouco de tudo e ultrapassar obstáculos de formas impensáveis? Não é também verdade que nos julgamos piores que os Alemães, os Ingleses, os Americanos e por aí fora? E o que é um pato, senão um ser que voa, que anda e que nada, mas que faz tudo isso mal ou em esforço?

Já a nossa classe política é um ninho de patos bravos. Comecemos pelo topo, onde residem os maiores especímenes. Temos um presidente da república, Cavaco Silva,  que tem um dom de oratória equivalente ao do Pato Donald. O facto de ter, aparentemente,  lançado a asa sobre “oportunidades de negócio” no BPN, de uma forma que nunca foi cabalmente esclarecida, não vem ao caso. Os três sobrinhos, Dias Loureiro, José Oliveira e Costa e Duarte Lima mais parecem os metralhas. Já o ministro das finanças, Vitor Gaspar, pede meças ao Tio Patinhas e fica com tudo para ele. Bom, para ele não ficará, que há-de haver sempre um sortudo como o Gastão Catroga, que é nomeado para o Conselho de Administração da EDP. O ministro Álvaro, pato de primeira, sempre vestido com um ar de quem não sabe como foi ali parar e  não sabe o que fazer, está já bem atadinho para ser o primeiro a ser lacado e consumido numa qualquer remodelação governamental. Já repararam bem no que ele se parece com um pato? De cada vez que aparece em frente às câmaras de televisão fá-lo como se deslizasse suavemente em cima da água mas, por debaixo de água, pateia freneticamente para se manter à tona. E este é apenas o resultado de uma longa linhagem destes animais! Recordam-se certamente do pato que não sabia grasnar em inglês técnico mas foi para Paris estudar filosofia!

Para cúmulo dos cúmulos, aparece-nos agora um pato bravo dos grandes, um tal de António Borges, responsável pelas privatizações do Estado português, repescado pelo Governo depois de ter sido despedido do FMI por incompetência, a receber 125 mil euros livre de impostos e a clamar pela redução de salários dos outros patos todos. E de nada vale dizer que foi mal interpretado. Somos patos, não somos surdos.

domingo, 20 de maio de 2012

Rasteirinho como Relva(s)


Parece dizer: Estraçalho-os a todos!

É provável que o texto que está a ler neste momento já esteja desactualizado e que o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares já tenha sido afastado do Governo, por inadequação de perfil para o Governo de um país democrático.

Contudo, não acredito que tal suceda. Pelos vistos, o dr. Miguel Relvas tem acesso a informação privada e confidencial sobre outras pessoas, apesar dos desmentidos sucessivos. A capacidade de desmentir deve ser uma das boas qualidades que o levou à governação! Tal é a sua capacidade que se desmente a si próprio.

Primeiro, desmente que se relacionasse com Silva de Carvalho, o eminente espião renegado do SIED. Encontrara-se com ele unicamente uma vez, quando o conheceu, num evento público, sublinha Miguel Relvas. Porém,  logo a seguir, voltou a encontrá-lo numa festa de aniversário no Algarve e, no final, já recebia emails e SMS desse antigo espião do SIED mas, atenção, não lhes respondia!
Depois, quando questionado sobre se informava Pedro Passos Coelho sobre o conteúdo dessas mensagens, desmentiu.

Agora, foi acusado por uma jornalista do jornal O Público, de a ter ameaçado com uma queixa à ERC, com o blackout jornalístico ao seu jornal e até com a publicação de informações privadas e confidenciais na internet, por esta lhe ter feito algumas questões incómodas. Naturalmente,  também aqui desmentiu; não teria contado que o caso viesse a público e acabou por fazer um pedido de desculpas ao jornal, como se esse desmentido privado abafasse o cheiro podre a salazarismo.

E voltou a desmentir o seu desmentido, porque acabou mesmo por fazer uma exposição à ERC sobre as práticas do jornal O Público, que apelidou de "interpretativas", acusando o jornal de forçar os factos que justificam essa sua interpretação.

Entretanto, Passos Coelho terá ficado agradecido por não ter ficado queimado no processo do SIED e já veio defender Miguel Relvas neste novo caso. Resta saber se é porque Relvas se mostrou fiel ou se por também saber algo sobre o primeiro-ministro que este não queira que se saiba!


A palavra desmentir está a ficar gasta. Nota-se bem o uso, especialmente a partir da quarta letra...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Evento Sushial VII

Eis-me de volta ao blog. Soprei o pó que se acumulava no gelo e voltou a transparência, arredada há muitos dias. E não podia ter voltado por razão mais importante - um novo evento sushial, também ele ausente nos últimos tempos!

Juntámos um grupo de amigos (três mãos cheias deles) a convite da Carla; outros ficaram de fora desta vez e não tiveram pejo em me fazer chegar aos ouvidos ameaças graves à minha integridade física, mas atrás do tempo tempo vem e logo logo faremos mais eventos do género (com um espaço de meses para descanso do pessoal :)). A propósito, gostei da experiência de não fazer o repasto em casa... "por motivos" de não ser tão cansativo, hehehe.

Como começa a ser costume, as ajudantes de serviço (desta vez a Natacha e a Carla) acabaram por fazer 90% do enrolamento do sushi, inclusivamente desafiando o "chef" fazendo mais rolos de morangos às escondidas (tsc,tsc,tsc). Para elas um grande obrigado. Uma menção honrosa também à Naita pela sua acção de decoradora e aos restantes por trazerem os dentinhos.

Como a aprendizagem continua, desta feita apurei outra coisa. Não se deve trabalhar o peixe muito cedo. Vale mais começar o jantar com atraso do que ficar com o peixe seco e o sashimi tem que ser a última coisa a ser feita para que tal não aconteça.

Outra coisa importante é comprar o peixe em fornecedores onde a qualidade seja garantida ou seja, no UMAI. Só não recomendo passar lá antes de almoço porque senão apetece é ficar por lá a almoçar ao invés de ir preparar o sushi :) !

Fica o registo de algumas fotos:











E continuo a não perceber o fascínio pelo sushi de morangos...


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

NEUropa

A União Europeia está moribunda. Está a saque. E não vale a pena culpar os americanos, ou os chineses, ou os bancos. A União Europeia fez-se pela força e pela vontade da liderança e desfaz-se agora pela fraqueza, pelo desespero e pelo desnorte da liderança. Houvesse uma liderança forte e a crise poderia ter sido contida no seu início. Mas quem tem um colégio de líderes composto por um tipo que precisa de um  banquinho para se sentir homem, uma tipa que só não abandona o barco porque lhe convém mais manter uma situação de coma que abandonar a carcaça aos abutres, um outro que é mafioso e está mais preocupado em alimentar de viagra meninas com idades duvidosas do que gerir o seu próprio país, só tem o que merece. Dos outros nem vale a pena falar porque só fazem número e tristes figuras, que é o que está reservado a quem faz número sem saber fazer contas.

A Europa está condenada se não se reavivar a vontade política de a recriar. Porque esta Europa decrépita, a estalar de velha por todos os lados, comida pelo caruncho, tem o cheiro a mofo das velhas salas de cinema onde já só passam os filmes que ninguém vê.

O lema dos mosqueteiros de Dumas, se alguma vez teve eco real na Europa política, já não reverbera além-fronteiras porque a ameaça do comunismo já definhou e o medo da guerra também não tira o sono a ninguém. Falta um objectivo comum, um ideal suficientemente importante que una a Europa. Enquanto tal não acontecer e for o dinheiro a mandar na política, a Europa não passará de um puzzle onde as peças não encaixam.

Novo Mapa Mundo



domingo, 15 de janeiro de 2012

"Os meus bichinhos também precisam deste apoio"

Não foi Passos Coelho que o disse, foi Rui Reininho no programa de talentos da RTP1 - a Voz de Portugal -, mas podia ter sido o nosso primeiro-ministro, a propósito da praga de jobs for the boys que vai comendo todos os tachos disponíveis nas empresas de capital público.

Depois de ter vestido a bandeira da isenção e do ataque ao clientelismo partidário durante o seu percurso, iludindo-nos depois com as escolhas, mesmo tendo sido as segundas, de não correlegionários para cargos chave do Governo, Passos Coelho aparece-nos agora no pedestal como o rei da fábula, todo nú. A bandeira já não tapa o chicote castrador com que chocou o povo e com o qual pretende dar ainda mais umas mangueiradas, confiante na nossa paciência de chinês.

Talvez agoram percebam porque é que os barões do PSD recusaram os convites feitos em primeira instância para participarem no Governo de Passos Coelho. Estavam com olhos postos noutros tachos, mais bem remunerados e sem chatices que isso de Governar, quer se queira quer não, dá mais trabalho do que parece. A Caixa Geral de Depósitos, a EDP, a EPAL, são apenas os exemplos mais recentes do tráfico de influências movido por estes "bichinhos" que, normalmente, não teriam valor para chegar a tais cargos por méritos próprios.

A desbaratização patrocinada pelos portugueses nas últimas eleições acaba por cair mais uma vez em saco roto. Infelizmente, a bicharada política e a outra são em tudo idênticas: por mais insecticida que se lhes deite, ainda o efeito não passou completamente e já está a bicharada a voltar a percorrer os mesmos caminhos.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A abstenção

O Partido Socialista absteve-se na votação do orçamento na Assembleia da República, tal como o Partido Social Democrata havia feito quando os papéis estavam invertidos. Aliás, a abstenção nas votações da Assembleia têm sido frequentes sempre que se pretende não votar contra. A tirania dos partidos a isso obriga e é voz comum fazer declarações de voto e outras palermices quando se vota contra o que se pensa ou se quer defender, ou se vota contra a indicação de voto partidária.

Isto dá-nos que pensar. Isto devia dar-nos que pensar!

Quem quer que seja eleito para a Assembleia da República, está a ser eleito com os votos dos cidadãos portugueses, cidadãos esses que têm um conjunto de ideais, interesses, preocupações e desejos. Teoricamente, enquanto representantes dos portugueses e, descontando o facto de poderem representar todos os portugueses ou apenas uma parte, será legítimo a um político abster-se de decidir sobre um tema, seja ele qual for?

É uma aberração um político abster-se seja no que for. É o mesmo que um pescador se abster de pescar porque não sabe se há-de pescar carapau ou sardinha, um gestor se abster de gerir a empresa porque não sabe se vai vender mais ou menos ou um construtor civil se abster de acabar a construção de uma casa porque não sabe se há-de colocar um telhado de zinco ou telha de barro.

Não escolhemos políticos para que estes se abstenham de tomar decisões, mesmo que nós próprios o pudéssemos fazer por ignorância ou por incapacidade se tal nos fosse solicitado. Nós escolhemos os políticos para que possam tomar as decisões por nós, no melhor dos nossos interesses, ou da forma como os nossos interesses são percebidos pelo político. Ser deputado é um ofício, não um prémio! Por isso, quando um político se abstém numa votação, está-se a abster da responsabilidade que tem para connosco, os seus eleitores. E isso é imperdoável e deveria dar lugar a despedimento com justa causa, que é o que acontece no sector privado a alguém que, sendo pago para decidir, se recuse a fazê-lo.

Também por isso, muito me espanta que em altura de eleições os políticos venham pedir ao povo que não se abstenha, que vá votar, exercer o seu dever (direito) de cidadania! A desfaçatez!

Na verdade, nada do que disse me espanta realmente. Não espero que flores perfumadas nasçam numa lixeira. E o perfume das que nasceram nos canos das armas foi demasiado efémero.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Inveja - 6º do ciclo dos pecados mortais


Será minha a palavra
-        a derradeira -
definitiva como a morte
som terminal
curto e contundente.
Será a minha a voz do cutelo
e a frieza a da lâmina da foice.
Fecharei portas e portadas,
soprar-te-ei a noite
de um céu varrido de estrelas.
Será minha a palavra
que extingue a chama
e que te venda os olhos
ao ondular da sua sombra.

A escuridão é tua para descobrir
E não mais invejarei a tua luz.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Soberba - 5º do ciclo dos sete pecados mortais


Se eu desviar o olhar
onde te vais agarrar?
Mergulhas no vácuo e na escuridão.

Se a luz dos meus olhos se extinguir
a que luz vais pedir
que te encontre a direcção

É na imensidão do que eu sou
que tu encontras abrigo.
É na minha consciência
que encontras, da vida,  o sentido.

Se de ti me perder...
Se de ti me esquecer...

domingo, 18 de setembro de 2011

Ira - 4º do ciclo dos sete pecados mortais


Ergue-te, sombra desnudada da raça Humana!
Ergue-te dessa morte anunciada por criatura profana
Que julgaste divina, pintura da Capela Sistina.

Esquece a forma e o cheiro desse anjo negro
O canto de sereia, o desassossego
O mal sob a pele de cordeiro.

Liberta-te da traição desonesta e cobarde
De quem te converteu à Cristandade
Para te preencher com solidão.

Mata esse ser que amas e odeias
Mostra-lhe as trevas de que agora te rodeias
Mostra-lhe a obra de Deus!

Mata esse Deus que nunca se sentou a teu lado
Maldita seja a hora em que o criaste, apaixonado!
E com ele morram os anjos  e os demónios,
Quebrem-se as asas! Partam-se os cornos!
Queimem-se os altares, inundem-se os infernos!
Soprar-lhes-ei vida e deixarão de ser eternos.
Que o infinito acabe de repente,
Que leve tudo e todos na torrente,
Que colapse o éden imaginário, a cruz, o almário
Queimem-se as vestes e o breviário!
Apaguem-se as velas!
Arrasem-se as capelas!

Toquem os sinos, a rebate, os finados
E empurrem-nos da torre, partam-nos em bocados
Destruam-se todos os símbolos desse engano
Desmistifique-se o divino e o profano!
Extinga-se a chama oca da ilusão
Pela espada morram, todos pela minha mão.

sábado, 17 de setembro de 2011

Mirandês - desliguem-lhe a máquina!

O mirandês é a segunda língua oficial de Portugal, ainda que ninguém a compreenda, fale ou escreva fora da região de Miranda do Douro e arredores. Acredito até que  mesmo nessa região poucos o falem e quase que aposto que absolutamente ninguém o usa no seu dia-a-dia.

Afirmo isto sem recurso a nenhum dado concreto nem a nenhuma experiência particular. É uma daquelas ideias que se baseiam no conceito de que se algo não for útil (e incluo a arte como algo útil) não sobreviverá - é uma decorrência da selecção natural aplicada a algo que não é um ser vivo, mas que é manipulado ou utilizado pelos seres vivos e, como tal, se rege pelas regras que moldam a realidade desses seres vivos (nós).

Apeteceu-me discorrer um pouco sobre esta questão do mirandês por causa de uma reportagem lançada na SIC onde se dá algum tempo de antena à "utilização" e "importância" desta segunda língua nacional. Discordo completamente dessa relevância. O mirandês não é utilizado nem é importante, desculpem-me os mirandeses. Mais me irritou porque ao ver a reportagem pareceu-me estar a assistir a uma peça montada por uma máquina de propaganda fascista com o objectivo de evangelizar a população para a bondade da causa, neste caso do mirandês. Desde os meninos (coitados) na escola, com um ar natalício, a recitar, um de cada vez, a fábula da lebre e da tartaruga até às senhoras de idade a simularem uma conversa natural em mirandês, sobre vacas, silvas, portões e ladrões, visivelmente pouco à vontade porque, claramente, só devem falar mirandês quando lá vão os jornalistas da SIC, toda a reportagem foi uma encenação, quiçá patrocinada pela autarquia.

Não acredito que existam mais de 10.000 pessoas a falar mirandês como afirmaram na reportagem. A não ser que contem as pessoas que conhecem até um mínimo de três palavras. Nesse caso, eu sou um poliglota de renome porque falarei mais que dez idiomas, incluindo o mirandês, a saber: "lhéngua", "hoije" e "scritores".

Por outro lado, considerar o mirandês como segunda língua nacional, quando ela é ensinada apenas num punhado de escolas primárias é uma anedota. Mais valia seleccionar o inglês, o francês ou o castelhano como segunda língua, ou então, se o anterior vos escandaliza, escolham o latim e voltamos aos tempos de antigamente, mesmo porque língua morta por língua morta, o latim sempre tem mais valor e aplicabilidade. A "piéce de résistance" é saber que de entre os livros traduzidos para mirandês, os dois mais notavelmente publicitados são... Eça? Camilo? António Lobo Antunes? Não. São dois volumes do Astérix... tipicamente português, diga-se de passagem...

Se o mirandês alguma vez foi vivo, já morreu. Se está morto deixêmo-lo ao cuidado dos historiadores, façamos levantamentos culturais do que foi e da sua importância, criemos festas temáticas onde se celebre essa tradição mas não percamos tempo nem gastemos recursos a inventar uma roda quadrada que nunca funcionará, porque a redonda já foi criada há muito tempo e funciona melhor. Não gastemos o tempo das crianças nem o dinheiro dos seus pais e do resto dos contribuintes para ornamentar esse túmulo!

Passos Coelho, olha aqui uma despesa boa para se cortar quase sem impacto nenhum! Pode ser que chegue para oferecer um bilhete de avião ao Alberto João Jardim para o raio que o parta.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Avareza - 3º do ciclo dos sete pecados mortais


Tantas palavras para somar...
dois foram uns!
E eu não as uso
com medo de as gastar.
São minhas,
não as sei dar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Preguiça - 2º do ciclo dos sete pecados mortais


Quero um tempo
onde o tempo não se conte
o já não exista
o depois seja mais tarde
e o nada não acabe.

Quero um som
com poucas letras
escrito em minúsculas
dito em surdina
lido para dentro.

Quero uma ideia
já descartada
de premissas impossíveis
e sem aplicação visível.

Quero um esforço já feito
um custo pago na íntegra
uma estase perfeita.

Quero fixar o olhar
num horizonte inalcançável
até que a vista cegue.

Espero um universo
em que a espera seja avanço
e o sonho sabedoria.

sábado, 10 de setembro de 2011

Luxúria - 1º do ciclo dos sete pecados mortais


Tenho fome de ti
Doce pecado
Sushi de serpente
Nua e crua
És Eva
Em cama de arroz
Paraíso
Em forma de maçã
Dentada em forma de beijo
Curei a imortalidade
Com o teu veneno.

Mas vais cair do pedestal
E eu cairei contigo
Agarrado à tua costela, que é minha
Em êxtase
Completar-nos-emos
Nesse vôo lascivo
Descendente
Faremos Cains e Abéis
Atravessaremos os olhos dos anjos
Incrédulos
Penas sussurram e coram
-      Sobressalto!
Não fora este o sétimo
E talvez Deus acordasse – Alto!
Mas não.
Segue sonhando que é Deus
E nós, caindo, criamo-lo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

António Costa is back

António Costa foi, para mim, uma das figuras da semana por causa de um acto aparentemente inócuo, que passou por baixo do radar. Refiro-me à sua presença na lista de Assis, num vistoso segundo lugar, para concorrer à Comissão Nacional do Partido Socialista.

O facto relevante é o posicionamento político que António Costa continua a sedimentar, logo após ter rejeitado candidatar-se ao lugar de Secretário Geral do PS.

Com esta candidatura, António Costa vai, finalmente, a jogo e coloca uma carta forte na mesa. Ao apoiar Assis, demonstra acreditar que José Seguro não vai conseguir aguentar-se no barco logo após as primeiras eleições a que concorra e, por isso, posiciona-se desde já numa "oposição velada". Desta forma, ninguém o pode criticar agora por não apoiar abertamente Seguro nem, mais tarde, quando concorrer contra ele, correr o risco de ser acusado de saltimbanco político ou mesmo de traidor. Também relevante é o facto de avançar em 2º lugar. Apesar de ser um lugar natural, dado o peso que António Costa tem no PS, é uma clara manifestação de intenção e de poder. Se o objectivo não fosse o de marcar o seu território de forma muito clara, poderia ter avançado num lugar mais modesto onde se não comprometesse ou, até, manifestar o seu apoio político nos media e nem sequer participar na lista. Assim, está a dizer a todo o partido que deu um avanço a Seguro mas que agora vai começar a caçada.

Entretanto, vai esperando que Assis faça o seu trabalho de desgaste e Seguro tropece nas suas próprias pernas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Gotas de água fazem a tempestade


Fernando Ruas afirma que dívidas dos Municípios são "gota de água" no contexto do Estado.

Diversos economistas e Passos Coelho acreditam que os proveitos resultantes de tributar as fortunas seriam gotas de água.

Américo Amorim não se julga rico, apenas mais uma gota de água...

As despesas exorbitantes com telemóveis e carros no Estado e empresas públicas são gotas de água.

Já os salários dos trabalhadores (por oposição a dirigentes e políticos) não são gotas de água.

Se não o soubessem já, gostava que alguém explicasse a estes senhores que é gota a gota que se faz uma tempestade.

Aperta o garrote

André Macedo escreveu no DN uma análise que resume o que eu tenho dito nos últimos tempos no que diz respeito à máquina fiscal. A complexidade que se foi acumulando com medidas avulsas ou de “emergência” politica, fiscal e social tem que ser eliminada para bem de todos. Digo isto porque se o sistema fiscal for simplificado conseguir-se-ão reduzir custos de gestão que o Estado pode redireccionar para outras áreas (Saúde!!!). Contudo, tal como André Macedo, defendo que a eliminação das deduções fiscais tenham uma repercussão positiva nas taxas de IRS e que só assim farão sentido, caso contrário estaremos a observar um novo aumento de impostos que asfixiará novamente a classe média. Os cortes feitos da forma que foram anunciados pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar vão, infelizmente, no sentido da redução dos rendimentos da classe média sem a respectiva contrapartida.

Para já, como nota André Macedo, as únicas medidas tomadas por este Governo centram-se na receita e resumem-se a aumentos de impostos. O “ataque” à despesa fica, inexplicavelmente, para 2012.

Compreendo que o Governo tenha que tomar medidas difíceis para a população mas é preciso que não se tomem apenas as medidas fáceis para o Governo. Para isso, qualquer badameco podia ser eleito ministro das finanças, não precisávamos de ir buscar um iluminado.
Adicionalmente, Passos Coelho já afirmou que não pensa criar um imposto sobre as grandes fortunas. Alguém pensou que a direita o faria? Alguém pensou que Passos Coelho o poderia fazer? Eu não.

André Macedo finaliza o artigo com um alerta: “Gaspar que não nos defraude”. Neste momento, só há uma hipótese deste Governo não me defraudar e demonstrar alguma boa-fé de que não continuam apenas a ser os campeões da riqueza e poder instalados. É urgente e prioritário terminar com o regabofe na ilha da Madeira. Há razão, há conjuntura, há necessidade imperiosa.

Haja também coragem.